A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em sessão ordinária realizada no último dia 2, decidiu levar a júri popular o coronel reformado da PM Walter Gomes Ferreira e mais três pessoas. O grupo é acusado pelo homicídio de Esmário Mota Soares, conhecido como Mazinho Mota.
De acordo com os autos, no dia 22 de março de 2002, o corpo de Mazinho Mota foi encontrado dentro do próprio veículo com vários tiros, no bairro Alto Mutum, em Baixo Guandu. Segundo a polícia apurou, Mazinho Mota estava envolvido com roubo de boi, café, bomba de irrigação e devia dinheiro.
De acordo com o Ministério Público Estadual (MPES), autor da ação, Mazinho pertencia à organização criminosa comandada pelo coronel Ferreira. A morte de Mazinho teria sido tramada em razão de sua conduta. Ele teria praticado crimes por conta própria, sem autorização do comando da organização. Mazinho também passou a ser perseguido pelo grupo depois que atropelou e matou a esposa de um sargento da PM.
O armamento apontado pelo Departamento de Criminalística como aquele que foi utilizado no assassinato de Mazinho foi apreendido pela polícia na propriedade dede um da namorada de uma dos acusados, que seria proprietário do revólver usado no crime. Segundo os autos, o homicídio de Mazinho teria sido arquitetado no laticínio de outro acusado que também vai a júri com o coronel Ferreira.
O relator do processo, desembargador Ney Batista Coutinho, concluiu que “as assertivas trazidas ao processo pelo Ministério Público encontram guarida na prova testemunhal, capaz de denotar aparente envolvimento dos recorridos com a execução dos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa armada”, pronunciando os réus nos termos dos artigos 121, § 2º, incisos II e IV, e 288, parágrafo único, ambos do Código Penal. Em decisão unânime, o relator foi acompanhado pelos demais membros do Colegiado.

