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Credores votam plano de recuperação de empresa preterida pela Delta no ES

Os credores da Tomazelli Engenharia, uma das integrantes do consórcio capixaba que foi preterido em favor da carioca Delta Construções, definem, a partir da próxima semana, o destino da empresa em processo de recuperação judicial. Está marcada para segunda-feira (15) a assembleia geral para discussão do plano de recuperação da empresa. Caso a proposta não seja aprovada, a Justiça poderá decretar a falência do negócio. 

O edital de convocação é assinado pelo juiz da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, Camilo José D’Ávila Couto. Para a sessão desta segunda, o quorum mínimo é de 50% dos credores da empresa já definidos pelo processo de habilitação de crédito – quando os credores se apresentam à Justiça para receberam valores da empresa. No caso de falta de quorum, uma nova assembleia está marcada para o próximo dia 22, sem a exigência de um número mínimo de credores. 

Segundo os ritos do processo de falência, a assembleia vai deliberar sobre o plano de recuperação feito pelo administrador judicial da empresa, o advogado Jefferson Luiz Alves. Em síntese, o plano deve apresentar a forma de a empresa quitar todas as suas dívidas, manter o funcionamento e o pagamento dos funcionários. 

Caso seja aprovado, o processo de recuperação terá continuidade com a suspensão da execução de dívidas na Justiça e a possibilidade de continuidade dos negócios. No entanto, caso a assembleia rejeite o plano, o juízo de Falência poderá decretar a falência judicial da Tomazelli Engenharia.

Apesar de a empresa ser conhecida no mercado, o processo de falência ganhou notoriedade após a denúncia de favorecimento à Delta Construções. A Tomazelli era uma das integrantes do consórcio capixaba que teve um contrato anulado por decisão unilateral da Companhia de Saneamento Espírito-Santense (Cesan), repassado mais tarde para a empresa carioca. 

O agravamento da situação financeira da empresa e o quase pedido de falência à Justiça coincidem com a polêmica manobra que garantiu os benefícios à Delta, principal alvo da CPI que busca apurar a relação da empresa com tráfico de influencia junto a políticos, conhecida como a CPI do Cachoeira, que também surge com estreitas ligações com membros do governo Paulo Hartung (PMDB) até hoje no poder. 

Na época do lançamento da concorrência, no início de 2008, a Tomazelli entrou com dois mandados de segurança contra a Cesan – um antes e o outro após a perda do contrato. No primeiro pedido, os representantes questionaram algumas das exigências previstas no edital da licitação. Na época, o pleito foi arquivado pela Justiça, mas a empresa capixaba conseguiu sair vencedora da licitação – após a formação de consórcio com a Montalvani Engenheira, outra empresa local. 

Conforme revelou a reportagem de Século Diário, a direção da Cesan decidiu pela rescisão unilateral do vínculo no dia 16 de abril – após reunião da diretoria da companhia realizada duas semanas antes. Após a desclassificação, a Tomazelli chegou a ajuizar uma outra ação ordinária (024.09.037686-4) contra a companhia e a Delta, porém, esta foi arquivada sumariamente pelo juízo da 7ª Vara Cível de Vitória.

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