A continuidade do conflito interno na Câmara da capital; Pazolini se defende de acusação de violência política de gênero; e mais

Veto derrubado
Em meio à confusão instalada na Câmara de Vereadores de Vitória, acabou passando batido a derrubada, na sessão de terça-feria (22), do veto do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) a uma proposta importante: o projeto de lei 144/2017, que proíbe o início de obras de mesma natureza ainda inacabadas e de entrega de obra pública que, embora conclusa, não esteja em condições de atender ao fim a que se destina (por falta de número mínimo de funcionários, matéria corriqueira ou equipamentos). A matéria foi proposta pelo ex-vereador Leonil (Cidadania, então PPS), quando o chefe do Executivo da capital ainda era Luciano Rezende (mesmo partido do ex-parlamentar). Mas a oposição aproveitou a deixa para cutucar a gestão atual, dizendo que a proposta caía “como uma luva” para Pazolini. Karla Coser (PT) listou uma série de equipamentos que, segundo ela, foram inaugurados antes de ficar prontos: Mercado da Capixaba; Restaurante Popular; Unidade Básica de Saúde de Santo Antônio; e Centro de Convivência da Terceira Idade (CCTI) e Unidade Básica de Saúde (UBS) de Jardim Camburi.
“Iniciativa privativa do Executivo”
Na justificativa da proposta, Leonil afirmou que almejava que houvesse “maior moralidade da administração, em desfavor de agentes políticos que fazem uso de estratégias eleitoreiras que visam tão somente a promoção pessoal, sem preocupar-se com o real atendimento das inúmeras necessidades da população”. No veto agora derrubado, Pazolini apresentou parecer da Procuradoria Geral do Município, apontando que a matéria “fere irremediavelmente tanto a iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo, quanto ao Princípio da Reserva de Administração”. Segundo o documento, o projeto “dispõe sobre a organização administrativa do Poder Executivo e sobre os atos políticos do Prefeito, proibindo-o de inaugurar obras públicas quando não estejam perfeitamente acabadas e em pleno funcionamento”, confrontando princípios constitucionais.
Projetos desenterrados
O presidente Anderson Goggi (Republicanos), ao que tudo indica, fez uma manobra para evitar a decisão judicial que o obrigava a pautar o requerimento de urgência para votação do projeto de resolução que fixa nova data para a eleição da Mesa Diretora – seu argumento é de que foi avisado da existência de diversos projetos que estavam com prazo de análise vencidos. Como efeito colateral, acabou ressuscitando matérias que não são do interesse da gestão. Agora, a atual prefeita, Cris Samorini (PP), tem 120 dias para regulamentar o projeto de lei 144/2017.
“Fato novo” e “traição”
Anderson Goggi, inclusive, disse que apresentou o “fato novo” à Justiça e mantém a reprogramação das pautas enquanto o juiz não der uma resposta. Ele também sustentou a posição do grupo governista, de que o melhor é esperar passar as eleições gerais de outubro para realizar o pleito interno da Câmara. Aconselhado sobre possíveis “traições” posteriores da gestão que está defendendo com unhas e dentes, o presidente mostrou tranquilidade e deixou claro que, da parte dele, “não tem trajetória política de traição”.
Impeachment?
Armandinho Fontoura (PL) criticou a insistência no tema da eleição da Mesa Diretora, e afirmou que já existe uma conversa nos bastidores sobre possível impeachment de Cris Samorini – afinal, o próximo presidente da Câmara estará na linha de sucessão direta do Executivo. Entretanto, Dalto Neves (SDD), principal interessado na renovação da Mesa Diretora, deixou claro que não apoia qualquer tentativa de impedimento da prefeita e que, se estiver em posição de assumir o mandato no lugar dela, renunciará ao direito.
Pazolini nega violência política de gênero
Lorenzo Pazolini tem pautado sua campanha na defesa de ações de enfrentamento à violência contra mulheres. Em debate com candidatos a governador realizado pela Rede Gazeta nessa terça-feira (22), Helder Salomão (PT) relembrou o episódio em que Pazolini retirou o microfone das mãos da então vice-prefeita, Capitã Stéfane (Podemos). Como resposta, o ex-prefeito de Vitória se apressou a apresentar um documento nas redes sociais sobre o arquivamento da denúncia contra ele. “A Polícia Federal investigou o caso, as imagens foram analisadas e a Procuradoria Regional Eleitoral concluiu que não foram reunidos elementos de autoria e materialidade do delito, promovendo o arquivamento da investigação”, afirmou.
Apoiadores de Maguinha
Na disputa por vaga no Senado Federal, Maguinha Malta (PL) tem apresentado nas redes sociais vídeos de apoio de diversas figuras da extrema direita nacional e de lideranças evangélicas. Entre os que mandaram mensagens estão alguns dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a cantora gospel Fernanda Brum.

