sexta-feira, julho 24, 2026
23.6 C
Vitória
sexta-feira, julho 24, 2026
sexta-feira, julho 24, 2026

Leia Também:

Demora afasta fraudes ligadas à Hidrobrasil

A estratégia de protelar por mais de 10 anos o julgamento dos envolvidos na morte do advogado Joaquim Marcelo Denadai contribuiu para a despolitização do debate sobre as fraudes ligadas à gestão tucana na prefeitura de Vitória. Contrariando as expectativas iniciais, o júri popular do empresário e ex-militar Sebastião de Souza Pagotto, condenado pelo mando do assassinato, não relacionou o crime às denúncias levantadas nas gestões do ex-governador Paulo Hartung, hoje no PMDB, e do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que disputa novamente o cargo. 

Em nenhum momento do julgamento, realizado nessa quarta-feira (10), o nome dos ex-prefeitos foram citados pela acusação ou pela defesa de Pagotto. Em todo júri popular, a única possibilidade de ligação direta do crime às denúncias surgiu durante questionamentos sobre a CPI da Lama, que investigava a suspeita de fraudes nos valores do contrato de limpeza de fossas e galerias de esgoto da Capital. 

Mas apesar da vinculação natural entre as fraudes e a morte do advogado, que havia anunciado a intenção de apresentar uma notícia-crime contra os envolvidos no dia seguinte ao assassinato, o tema acabou sendo deslocado no depoimento das testemunhas. 

O presidente da Câmara de vereadores na época, Ademar Rocha (PT do B), preferiu não atestar a existência ou não de irregularidades nos contratos da empresa de Pagotto. Questionado pela promotoria, o vereador confirmou que assinou um manifesto, que afirmava que “Pagotto e a família teriam montado uma maternidade de empresas laranja para contratar com o poder público”, mas não atestou a veracidade daquele texto, que serviria de “substituto” ao relatório conclusivo das investigações trancadas pela Justiça. 

O advogado Flávio Cheim Jorge, que defendia os interesses da Hidrobrasil Saneamento na CPI, também pouco acrescentou sobre a possível ligação política entre o crime e o desenrolar das investigações. Mesmo com a declarada ligação entre Hrtung e Pagotto, que passou de segurança do então prefeito a empresário, o advogado negou qualquer irregularidade nos contratos. 

Sobre o trancamento dos trabalhos da CPI, Cheim Jorge lembrou que o desembargador Álvaro Bourguignon acolheu liminarmente os argumentos de um mandado de segurança, que alegava a falta de acesso dos advogados da empresas às investigações e a suposta parcialidade do presidente da Comissão [o ex-vereador Antônio Denadai, irmão de Marcelo e da deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), que defendia os interesses da uma outra empresa interessada no contrato, a VA Construções]. 

Aparecida confirmou que advogava para a empresa concorrente da Hidrobrasil, mas também evitou avançar no campo político. Embora tenha feito pronunciamentos na Assembleia com críticas à permanência da empresa de Pagotto em contratos no governo Paulo Hartung, a pedetista concentrou a acusação do mando do crime aos relatos das testemunhas obtidos durante os dez anos de processo. 

Por sua vez, o empresário Sebastião Pagotto também não se mostrou preocupado com as acusações. Revezando momentos de choro e até de tranquilidade, ele afirmou que “nunca a CPI prejudicou nenhuma de suas empresas”. Fato que acabou evidenciado no depoimento do ex-secretário municipal de Obras José Arthur Bermudes da Silveira, que a demanda pela “troca” do contrato entre empresas de Pagotto foi da própria pasta. 

O ex-colaborador da gestão Luiz Paulo, que também responde a uma ação de improbidade sobre as irregularidades desde 2006, comentou que não via problemas com o contrato que se estendeu até a gestão do sucessor, do petista João Coser. 

Mais Lidas