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Dez anos depois do crime que vitimou Marcelo Denadai, começa júri de Pagotto

Começou na manhã desta quarta-feira (10) o julgamento do empresário Sebastião Pagotto, acusado de ser o mandante do assassinato do advogado Marcelo Denadai, em abril de 2002. O julgamento acontece no Fórum de Vila Velha, com presença de defensores de Pagotto e de familiares da vítima. 

Pagotto chegou ao Fórum acompanhado da mulher e de dois advogados, por volta das 8h50. Pouco tempo depois chegou a família de Marcelo Denadai. A deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), irmã de Marcelo, disse que há 10 anos aguarda a resolução do caso e está confiante que a justiça será feita. Já o empresário Sebastião Pagotto declarou ser “um homem inocente e sem problemas com a vítima”.

Em frente ao Fórum havia muitas pessoas, algumas com uniformes da empresa Líder (de propriedade de Pagotto). Usavam também camisetas com a inscrição “Sebastião Pagotto é inocente”. Os familiares de Denadai também traziam camisetas com inscrição “Marcelo Denadai – Justiça”. Os dois lados foram orientados a trocar de roupa. A justificativa do juiz responsável pelo caso, Carlos Henrique Cruz Lima de Araújo, foi para que não houvesse qualquer interferência sobre os jurados.

A assistente da acusação, a advogada Elisângela Leite Melo, trabalha no caso desde o início e disse que a acusação tem muito escopo para subsidiar a denúncia. O processo é considerado complicado e começou com os executores do crime, depois houve o aditamento, incluindo os mandantes. Ela lembrou que houve cinco mortes de pessoas relacionadas ao crime, que foram incluídas no processo. Disse ainda que a acusação se preparou para dar efetividade às provas. A expectativa é de que o julgamento entre a madrugada.

Desde a confirmação do julgamento, a dada foi protelada por quase dois anos. A sessão do Tribunal do Júri chegou a ser marcada para o último dia 20 de agosto, mas foi adiada na véspera, devido a uma manobra da defesa. O então advogado do empresário, Homero Junger Mafra – atual presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ES) – renunciou ao caso, adiando assim o julgamento para essa quarta-feira (10).

Marcelo Denadai foi morto na noite de 15 de abril de 2002, quando caminhava no calçadão da Praia da Costa, em Vila Velha. No dia seguinte , ele encaminharia à Justiça uma queixa-crime sobre fraudes no contrato de  12 empresas, em licitações com prefeituras existentes no Espírito Santo.

O irmão de Marcelo Denadai, Antônio Denadai, na época vereador e presidente da CPI da Lama, investigava os contratos da empresa Hidrobrasil, pertencente a Pagotto, com a prefeitura de Vitória. Na época a CPI foi trancada a pedido do então prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), pelo desembargador Álvaro Bourguignon. Em Brasília, os vereadores conseguiram reverter a decisão, mas a CPI jamais foi reaberta.

 

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