Do seio da high-society capixaba para um Centro de Detenção Provisória. Esse é o destino do casal de empresários Ricardo e Sandra Corteletti, presos nesta quarta-feira (28) durante a Operação Sanguinello, que desarticulou uma quadrilha acusada por fraudes no comércio atacadista de bebidas nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. Sandra ficou conhecida no meio social após promover uma suntuosa festa de aniversário no 38º BI Batalhão de Infantaria em Vila Velha, em junho de 2013.
O luxo e a ostentação da festa que virou notícia em todas as colunas sociais do Estado á época deram lugar à acusação da participação do casal em operações comerciais fraudulentas na ordem de R$ 230 milhões. Segundo informações do Ministério Público Estadual (MPES), a operação teve o objetivo de desarticular e colher provas relativas à organização criminosa que atuava no setor atacadista e varejista de bebidas. Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão nos dois estados.
As investigações tiveram início em outubro do ano passado, a partir de levantamentos feitos pela Receita Estadual e o Ministério Público dos dois estados. Os fatos se tornaram mais evidentes em fevereiro deste ano, logo após a denúncia do empresário Rodrigo Fraga, dono de um restaurante em Vila Velha, que antes de cometer suicídio fez várias acusações contra o sócio de fato do negócio, Frederico de Lima e Silva Leone, também preso na operação desta quarta. O episódio teria corroborado com o trabalho que já vinha sendo executado.
Segundo o Ministério Público, a importadora de bebidas NewRed, sediada em Vila Velha, emitia documentos fiscais para acobertar a venda de mercadorias para o Distrito Federal e outros estados da Federação. No entanto, os produtos eram descarregados em Minas Gerais em empresas localizadas na região do Ceasa, onde ficariam os reais beneficiários do esquema.
Para justificar a entrada da mercadoria e acertar o estoque, os verdadeiros destinatários se valiam de notas fiscais “emitidas” por empresas fictícias, a maioria delas no município de Itaúna, na região Metropolitana de Belo Horizonte/MG. A estratégia permitia que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente nas operações fosse assumido por essas empresas de fachada, constituídas em nome de “laranjas”.
No Espírito Santo, foram cumpridos 11 mandados de busca nos municípios de Vitória, Vila Velha e Cariacica, além da realização de diligências fiscais e efetivação de ordens judiciais de sequestro de bens para garantir a eventual restituição das quantias sonegadas. Em Minas Gerais, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão – oito em empresas e três em residências – e nove mandados de prisão temporária.
Foram presos os empresários Ricardo Lúcio Corteletti, Sandra da Penha Corteletti, Frederico de Lima e Silva Leone, Cristiano da Silva, João Batista Tomaz de Carvalho e Juscelino de Jesus Carvalho. Segundo informações do MPES, os empresários Ricardo e Frederico Leone já foram encaminhados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Viana e devem prestar depoimentos nos próximos dias. No estado vizinho, foram detidos: Eire Salomão Barbosa, Daniel Ângelo Lima, Gilvan Inácio Villefort, Waleska Veloso de Souza, Solange Aparecida Silva Borges e Lacy Junior.

