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Euclério denunciou gastos com obras inacabadas de posto fantasma

A ação do Ministério Público Estadual (MPES) contra o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) sobre as obras inacabadas do Posto Fiscal São José do Carmo, em Mimoso do Sul, contou com um importante aliado: o deputado estadual Euclério Sampaio (PDT). A atuação do parlamentar foi determinante para a caracterização do escândalo do posto fantasma. Em março do ano passado, o pedetista visitou, fotografou o “posto” e denunciou a inexistência de qualquer obra no local. Tanto que as declarações de Euclério à imprensa foram utilizadas no decorrer da instrução do processo.

Juntamente com o colega de plenário, Gilsinho Lopes (PR), o pedetista correu atrás de adesões para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). No entanto, a iniciativa acabou esbarrando no movimento de blindagem ao ex-governador, que mesmo longe do poder, mantém influência a um grande número de parlamentares. Mesmo sem a CPI do posto fantasma, Euclério conseguiu colocar o caso sob os holofotes da mídia. Em parte, devido às fortes declarações do parlamentar contra o peemedebista.

Durante uma visita ao local, no dia 21 de março de 2013, Euclério fotografou “grandes montes de pó de brita e cascalho” (materiais utilizados para dar aspecto de asfalto) durante toda extensão do local onde deveria funcionar o posto fiscal, que seria construído na BR-101 sul. “Não sei se era entulho ou foi colocada para maquiar o local”, questionou o pedetista, que classificou a obra como “fantasma”, cravando a alcunha que o caso passaria a ser conhecido.

Logo após a denúncia do parlamentar sobre uma eventual tentativa de maquiagem, o promotor de Justiça, Dilton Depes Tallon Netto, autor da ação de improbidade, solicitou à Justiça que proibisse a realização de qualquer nova intervenção no local. O pedido não foi inteiramente atendido, mas o juízo determinou que o governo do Estado comunicasse previamente a realização de qualquer obra no local. Uma vitória para o órgão ministerial, que reafirmou a participação do parlamentar no episódio.

Na época do escândalo, Euclério denunciou que os gastos com a empreitada não resultaram em qualquer tipo de benfeitoria, com exceção dos serviços de terraplanagem – único tipo de intervenção no local. “O que eu vi foi uma pouca vergonha: não tem um centímetro de asfalto e o local serve ainda como depósito de lixo. O piso é todo de terra batida, mal suporta o peso de um veículo. Quero saber onde estão os R$ 25 milhões que foram gastos. Temos que descobrir esse dinheiro, porque ali [nas obras do posto fiscal] ele não está”, discursou, na tribuna da Assembleia.

O deputado também criticou a postura dos colegas na blindagem ao ex-governador. Em outro momento, ele afirmou que “Paulo Hartung trabalhou, mas deixou muitas dúvidas sobre o trabalho realizado”.

Durante uma sessão da Comissão de Infraestrutura da Casa, o pedetista criticou as declarações do então presidente do Banestes (secretário da Fazenda na época da extinção do posto), Bruno Pessanha Negris, quando ressaltou ter feito parte do governo passado. “Ninguém pode justificar um ato ilícito só porque nunca foi denunciado”, respondeu o parlamentar.

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