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Ex-PM é condenado a 32 anos de prisão por assassinato de músico

Lucas Torrezani tirou a vida de Guilherme Rocha por motivo fútil e terá que indenizar familiares

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O ex-policial militar Lucas Torrezani de Oliveira foi condenado a 30 anos de reclusão e 2 anos de detenção pelo assassinato do músico Guilherme Rocha, ocorrido em Vitória, em 2023. O julgamento foi finalizado na noite desta quarta-feira (20), após 15 horas de realização do Tribunal do Júri.

Segundo o Ministério Público do Estado (MPES), o réu foi condenado por homicídio qualificado, reconhecidas as qualificadoras de motivo fútil e de recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi incluído o crime de abuso de autoridade, tendo em vista que Lucas era PM na época. Ele ainda terá que pagar indenização de R$ 500 mil à família da vítima.

Ainda de acordo com o MPES, o Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pelo órgão ministerial de que o crime teve origem em um desentendimento relacionado a reclamações de moradores sobre perturbação do sossego no condomínio onde residiam a vítima e o acusado. O réu tentou alegar legítima defesa, o que foi descartado.

Um dia antes do julgamento, familiares e amigos do músico assassinado realizaram um ato em sua homenagem na Praça Mário Elias da Silva, em Jardim Camburi. “Nossa intenção é recuperar a memória dos fatos e também fazer com que o Guilherme seja lembrado com uma das coisas que mais gostava, que é a música, além de reforçar o pedido para que a Justiça seja feita”, comentou na semana passada Alexandre “Testinha”, músico, vice-presidente da Associação Comunitária de Jardim Camburi (ACJC) e amigo de infância de Guilherme.

Guilherme – também conhecido como “GuiGui” ou “Pagodinho” – tinha 37 anos e foi assassinado na madrugada do dia 17 de abril de 2023, às 3h, com um tiro fatal que atingiu o ombro e atravessou o peito. Ele morava em um condomínio em Jardim Camburi com a esposa e a enteada de 12 anos, e desceu de seu apartamento para pedir ao soldado Lucas Torezani que abaixasse o som.

Conforme imagens de câmeras de videomonitoramento registradas no dia do crime, em certo momento, Lucas retira a arma da cintura, primeiro encosta no ombro de Guilherme, e depois bate com ela em seu rosto. O músico reage colocando a mão na arma e é empurrado por um amigo do PM. Depois, segue em direção à porta e já cai executado. O crime gerou comoção e cobranças por Justiça.

O soldado chegou a alegar “legítima defesa” e foi liberado logo após a ocorrência. Entretanto, as investigações descartaram a tese, e Lucas Torrezani foi preso temporariamente no Quartel da Polícia Militar do Espírito Santo. Posteriormente, sua prisão se tornou preventiva e, após ser expulso da PM, foi encaminhado para um presídio comum.

Na época das investigações, o delegado da Divisão de Proteção a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcelo Cavalcanti, responsável pelo caso, apontou “requinte de crueldade” e “frieza” do policial. As imagens mostram Lucas dando dois goles na bebida logo após matar Guilherme, além de não socorrer a vítima. “Não teve compaixão, queria executá-lo, mesmo”, enfatizou.

Marcelo Cavalcanti relatou, ainda, que Lucas esperou que a vítima morresse, além de ter impedido a esposa de Guilherme de socorrer o marido. Cavalcanti constatou que o PM tinha o hábito de beber no condomínio, promovendo “algazarra” e “zoada”, sempre na entrada do bloco da vítima, e não de onde morava, “para não incomodar seus familiares”. Por esse motivo, já existiam cinco ocorrências contra ele em dois meses, como reforçado pela síndica, Mônica Bicalho.

O amigo de Lucas, Jordan Ribeiro de Oliveira, foi indiciado junto com ele por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e sem possibilidade de defesa, mas responde em liberdade.

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