sexta-feira, maio 1, 2026
23.9 C
Vitória
sexta-feira, maio 1, 2026
sexta-feira, maio 1, 2026

Leia Também:

Operação Sanguinello: promotores seguem ouvindo depoimento de presos

O Ministério Público Estadual (MPES) vai continuar, nos próximos dias, a colher os depoimentos dos presos na Operação Sanguinello, deflagrada na última quarta-feira (28). A previsão é de que os empresários Frederico de Lima e Silva Leone e Ricardo Lúcio Corteletti sejam ouvidos até essa quarta-feira (4). Os promotores de Justiça, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), já ouviram as testemunhas e pessoas que são alvo da investigação, mas não tiveram a prisão decretada.

De acordo com informações da assessoria de comunicação do MPES, os integrantes do Gaeco e da Receita Estadual continuam analisando o material apreendido na operação, que inclui cheques, notas fiscais e documentos sobre diversas transações comerciais. Durante a operação, foram apreendidos R$ 13.438 reais, US$ 3,4 mil e 3.255 euros na empresa Newred Distribuidora Importação e Exportação Ltda, de propriedade do empresário Ricardo. Todos os valores foram depositados em uma conta judicial no Banestes.

Na última sexta-feira (30/05), o MPES pediu a revogação da prisão temporária da empresária Sandra da Penha Corteletti, esposa de Ricardo. O pedido teve como base o fato dela não ser a principal gestora da Newred. No mesmo dia da operação, outros dois presos – João Batista Tomaz de Carvalho e Juscelino de Jesus Carvalho, apontados como laranjas do esquema – foram ouvidos e liberados após terem colaborado com as investigações.

Segundo as apurações iniciais, os acusados podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, organização criminosa e crime contra a ordem tributária. As penas totais podem variar de seis a 21 anos de prisão. De acordo com o MPES, os depoimentos e o material apreendido indicam que o esquema de fraudes tem extensão maior que o apurado inicialmente, com mais pessoas e empresas fictícias envolvidas, bem como um valor financeiro superior ao apurado inicialmente – em torno de R$ 230 milhões –, nas operações comerciais com fortes indícios de irregularidades.

As investigações da Operação Sanguinello tiveram início em outubro do ano passado, a partir de levantamentos feitos pela Receita Estadual e o Ministério Público dos dois estados. Os fatos se tornaram mais evidentes em fevereiro deste ano, logo após a denúncia do empresário Rodrigo Fraga, dono de um restaurante em Vila Velha, que antes de cometer suicídio fez várias acusações contra o sócio de fato do negócio, Frederico de Lima e Silva Leone. O episódio teria corroborado com o trabalho que já vinha sendo executado.

Segundo o Ministério Público, a importadora de bebidas NewRed, sediada em Vila Velha, emitia documentos fiscais para acobertar a venda de mercadorias para o Distrito Federal e outros estados da Federação. No entanto, os produtos eram descarregados em Minas Gerais em empresas localizadas na região do Ceasa, onde ficariam os reais beneficiários do esquema.

Para justificar a entrada da mercadoria e acertar o estoque, os verdadeiros destinatários se valiam de notas fiscais “emitidas” por empresas fictícias, a maioria delas no município de Itaúna, na região Metropolitana de Belo Horizonte/MG. A estratégia permitia que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente nas operações fosse assumido por essas empresas de fachada, constituídas em nome de “laranjas”.

Mais Lidas