Terminou na madrugada desta quinta-feira (11) o julgamento de Sebastião Pagotto. O empresário foi condenado a 17 e 10 meses de prisão pela morte do advogado Marcelo Denadai, assassinado em abril de 2002 quando caminhava na Praia da Costa, em Vila Velha.
Além do empresário, também foi julgado Leandro Mageski, acusado de receptação. Ele seria proprietário do ferro-velho onde foi clonado o carro usado no crime. Mageski, no entanto, foi absolvido.
A defesa de Sebastião Pagotto vai recorrer da sentença e o réu vai permanecer em liberdade durante o julgamento do recurso.
O depoimento de Pagotto foi iniciado com a negativa dele de participação no crime, que disse desconhecer a vítima. O réu também negou conhecer a irmã de Marcelo Denadai, a deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), que foi ouvida durante a manhã desta quarta.
O empresário disse ainda que o soldado da Polícia Militar Dalberto Antunes da Cunha – apontado como executor de Denadai, junto com o também PM Paulo Jorge dos Santos Pereira, o PJ, morto em queima de arquivo – somente prestava serviços para a empresa dele, a Hidrobrasil. PJ, segundo Pagotto, retirava valores no banco e levando para a empresa em dias de pagamento.
Quando questionado pela acusação sobre uma ligação feita por Dalberto para sua casa 15 minutos antes do crime, Pagotto disse que o telefonema não tinha qualquer relação e que todos os funcionários têm acesso ao número da residência dele. Neste momento, o empresário chorou e questionou o juiz responsável pelo caso, Carlos Henrique Cruz Lima de Araújo, por que mandaria matar o advogado.
O motivo do crime seria a apresentação de uma denúncia pelo advogado que seria protocolizada no dia seguinte à execução. Marcelo Denadai denunciava a existência de irregularidades na contratação da empresa Hidrobrasil (hoje Líder) para o serviço de limpeza de bueiros e galerias de esgoto no município de Vitória. O caso chegou a motivar a abertura da CPI da Lama na Câmara dos Vereadores, trancada por decisão judicial.
O irmão de Marcelo Denadai, Antônio Denadai, na época vereador e presidente da CPI da Lama, investigava os contratos da empresa Hidrobrasil, pertencente a Pagotto, com a prefeitura de Vitória. Na época a CPI foi trancada a pedido do então prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), e pelo desembargador Álvaro Bourguignon. Em Brasília, os vereadores conseguiram reverter a decisão, mas a CPI jamais foi reaberta.
Leandro Mageski
O outro réu do caso, Leandro Mageski, que acabou absolvido, era acusado de receptação. Ele prestou depoimento na tarde dessa quarta-feira (10). Leandro negou que trabalhava no ferro-velho onde foi clonado o veículo usado no crime. O acusado disse ainda que não ajudou no fornecimento do carro que iria ser clonado.
Leandro também disse que não conhece Pagotto ou Dalberto e que não sabe o motivo de estar sendo acusado de receptação.
Também prestaram depoimento na tarde desta quarta-feira, na qualidade de testemunhas, o sargento Luis Guilherme Paterlini; o vereador de Vitória Ademar Rocha, presidente da Câmara de Vereadores de Vitória na época da CPI da Lama e José Artur Bermudes da Silveira, secretário de Obras de Vitória na época do crime. O ex-vereador de Vitória, Sebastião Pelaes, que estava arrolado como testemunha, foi dispensado pela defesa.

