O juiz da 4ª Vara Criminal de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Felipe Rocha Silveira, condenou o ex-contador da Câmara de Vereadores do município, Hélio Grechi Roza, a pena de 16 anos de reclusão em regime, inicialmente, fechado. Ele acusado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, além de ter sido acusado de montar um esquema de desvio de recursos públicos na folha de pagamento. O ex-contador chegou a ser preso durante a Operação Parlamento Rosa, deflagrada em outubro de 2013. Ele ainda pode recorrer da sentença, que está sob segredo de Justiça.
No trecho com a parte dispositiva da sentença, publicada no Diário da Justiça da última quinta-feira (23), o magistrado acolheu integralmente a denúncia do Ministério Público Estadual (MPES) contra o ex-contador da Câmara. Também figuram na ação penal (0005494-23.2014.8.08.0011), o comerciante Lírio Moreira Gomes Filho, condenado a seis anos de reclusão, em regime semiaberto, pelo crime de lavagem de dinheiro e absolvido dos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e peculato; e a esposa de Hélio Grechi, Valéria Cristina Yee Roza, que foi absolvida de todas as acusações.
De acordo com informações do portal Aqui ES, o ex-contador teria confessado à Justiça a prática do esquema que, segundo o MPES, teria causado um rombo de R$ 2,24 milhões nos cofres do Legislativo cachoeirense. Hélio Grechi alegou que iniciou o esquema no ano de 2005 sob alegação que estaria passando por problemas financeiros, inclusive, com as supostas ameaças de agiotas. Ele teria declarado que operava o esquema sozinho, convencendo terceiros a emprestarem suas contas bancárias para o recebimento dos valores como forma de amizade.
Na denúncia inicial, a promotoria do município sustentou que o ex-contador da Câmara teria “arregimentado um exército de co-autores, atuando em franca progressão criminosa, o que demonstra de maneira inequívoca a sua personalidade voltada para a prática de crimes e a forte possibilidade de reiteração criminosa”. O esquema de fraudes no pagamento de tributos e contribuições previdenciárias, cujos recursos acabavam desviados para as contas de terceiros, teria ocorrido entre os anos de 2005 a 2009 e no período entre 2012 e 2013.
Além da ação penal, o Ministério Público ajuizou uma ação de improbidade contra o ex-contador e mais oito pessoas – entre parentes de Hélio Grechi, empresários e supostos laranjas – para cobrar o ressarcimento integral dos valores desviados. A denúncia já foi recebida pela Justiça estadual, que determinou a indisponibilidade dos bens de todos os acusados. Na última semana, o Tribunal de Justiça manteve o bloqueio dos bens em nome da filha do ex-contador, Dayane Yee Roza, suspeita de emprestar o nome para o registro de veículos adquiridos de forma ilícita.
A Operação Parlamenta Rosa foi deflagrada em outubro de 2013 com o objetivo de colher mais documentos sobre o esquema de irregularidades na folha de pagamento da Câmara de Cachoeiro. Ao todo, nove pessoas foram presas, entre elas, servidores da Casa. Segundo as apurações, o então contador teria utilizado o dinheiro público para realizar uma série de negócios, como a compra de veículos, máquinas pesadas, imóveis e até cabeças de gado. A notícia da denúncia partiu do presidente da Casa, Júlio Ferrari (PV), que solicitou a abertura das investigações.

