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Polícia Civil suspende credenciamento de empresa investigada por venda de uniformes

O Departamento de Administração Geral (DAG) da Polícia Civil suspendeu, nesta quinta-feira (23), o credenciamento da empresa Garça Uniformes, que está sendo investigada pela suspeita de direcionamento no processo de autorização para produção e comercialização de uniformes para a instituição. De acordo com o chefe da DAG, delegado Paulo César Ferreira, o retorno das atividades está condicionado à conclusão do procedimento aberto pelo Ministério Público Especial de Contas (MPC) para apurar o caso.
 
A polêmica em torno do credenciamento de empresas para a venda dos uniformes foi alvo de reportagem do jornal Século Diário nessa terça-feira (21). Segundo a assessoria do MPC, as investigações seguem em andamento. O caso foi distribuído à 2ª Procuradoria, sob responsabilidade do procurador de Contas, Luciano Vieira, que está de férias até meados de novembro. A expectativa é de que as apurações sejam retomadas após o retorno das atividades do membro ministerial.
 
Nesse período, os policiais não poderão adquirir os uniformes até a conclusão das apurações, já que somente a Garça estava fornecendo as vestimentas. De acordo com a Polícia Civil, quatro empresas foram credenciadas. No entanto, a reportagem apurou que somente a empresa sob investigação vendia as peças de roupa aos policiais, através da loja física Uniformes e Cia – que também foi credenciada. A justificativa é de que a Garça somente produziria as indumentárias.
 
O questionamento em torno do credenciamento foi levantado pelo Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol), que denuncia o eventual direcionamento na escolha das empresas fornecedoras. A entidade alega que a Garça pertence à irmã da esposa do delegado-chefe da Policia Civil, Joel Lyrio Rocha (Carla Souza Villar Zaché, que tem 1% da participação societária na empresa). O sindicato também afirma que a cúpula da Policia não deu transparência ao processo, além de colocar supostamente os policiais em situação de risco devido à identificação visual.
 
O Comando da Polícia Civil nega todas as acusações e garante que a polêmica tem motivações políticas. Em entrevista à reportagem, o chefe da DAG garantiu que a administração fez todos os esforços para garantir a participação de mais empresas. Segundo ele, o termo de referência – documento que estabelece o padrão de confecção das vestimentas – foi aprovado no dia 4 de fevereiro deste ano e o edital de convocação foi publicado na semana seguinte (dia 11 daquele mês).
 
Sobre a acusação de suposto favorecimento, o delegado Paulo César afirma que a empresa foi indicada pela Santista Têxtil, responsável pela elaboração do termo de referência – documento que estabelece o padrão de confecção das vestimentas. Ele afirmou que todos os contatos com a empresa foram feitos com Ricardo Zaché – sócio majoritário da empresa (99% do capital social) e marido da cunhada do delegado Joel Lyrio. Ele afirma que o delegado-chefe da Polícia Civil não tem participação ativa no processo de escolha de empresas, sendo responsável apenas pela aprovação do termo de referência.

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