O caso do juiz Alexandre de Castro Martins Filho, assassinado em março de 2003, pode ganhar um novo capítulo. Nesta quarta-feira (20) a procuradora federal Denise Neves Abade vem ao Estado especialmente para ouvir a militante de direitos humanos Maria das Graças Nacort, que ingressou na Procuradoria-Geral da República em 2011, pedindo a federalização do crime.
No documento, a militante aponta irregularidades nas investigações e na instrução do processo que apurou a morte do juiz. Maria das Graças, presidente da Associação de Mães e Famílias Vítimas da Violência (Amafavv), como muitos observadores que acompanharam e acompanham o caso, põe em suspeição a tese da Justiça estadual que concluiu que o magistrado foi executado a mando do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, que inclusive está prestes a ser levado a júri popular.
“Há muitas perguntas sem resposta nesse caso. Ainda paira na cabeça de muitas capixabas a dúvida sobre a real motivação do crime: se realmente foi de mando ou um brutal latrocínio. Tudo que eu quero com a federalização do crime é que a verdade apareça e a Justiça seja feita. Não entendo por que meu pedido para federalizar o crime tenha irritado tanta gente. Parece que há um torcida grande para que a verdade não venha à tona”, afirma Maria das Graças.
No documento que pede a federalização do crime, Maria das Graças destaca as declarações do detento Odessi Martins da Silva, o Lumbrigão. O assassino confesso do juiz confirmou, de dentro da prisão, perante o coordenador das Varas de Execuções Penais, juiz Marcelo Loureiro, que os ex-sargentos da PM, Ranilson Alves da Silva e Heber Valêncio não tiveram participação no crime, como concluiu, à época, a Justiça.
Lumbrigão disse ao juiz que nem os conhecia. Valêncio foi condenado a 20 anos de prisão e Ranilson a 15 anos. Atualmente, eles cumprem a pena em regime aberto
O deslocamento de competência, que foi pedido formalmente pela militante em 2011 é repudiado pelo pai do juiz, Alexandre Martins, e outras autoridades envolvidas no caso, como o juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, e o então secretário de Segurança, hoje prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM). Os dois, inclusive, com a ajuda do sociólogo Luiz Eduardo Soares, escreveram o livro Espírito Santo, que retrata a versão de Lemos e Rodney sobre os bastidores da morte do juiz.
À época que foi para as livrarias, a publicação revoltou vários oficiais da PM, que alegaram que o conteúdo do livro era inverídico.

