Passados mais de dez anos do crime, o empresário e ex-militar Sebastião de Souza Pagotto vai sentar no banco dos réus pela morte do advogado Joaquim Marcelo Denadai. Nesta quarta-feira (3), a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) manteve a realização do júri popular no próximo dia 10, em Vila Velha. Pagotto é acusado de ser o mandante do assassinato, supostamente motivado por denúncias de fraudes na prefeitura da Capital na época.
O desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama, que havia pedido vistas do processo, seguiu o voto do relator, desembargador Adalto Dias Tristão, que negou a existência de qualquer nulidade no processo. O magistrado também rejeitou a existência de qualquer suspeição contra um dos promotores de Justiça que atuaram nas investigações. “Não há mais falta de indícios da materialidade dos atos que o réu cometeu”, afirmou Sérgio Gama.
Com a decisão, os desembargadores mantiveram a realização do júri, marcado para o dia 10, a partir das 9 horas, no Fórum da Prainha (antigo Fórum de Vila Velha). O juiz responsável pelo Tribunal do Júri será Carlos Henrique Cruz de Araújo Pinto, que também marcou para o mesmo dia o júri do comerciante Leandro Scárdua Magevski, acusado de ter praticado estelionato para favorecer os acusados do crime.
O julgamento pode influenciar a candidatura tucana em Vitória, após a perspectiva da realização de um 2º turno no pleito, com a participação do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Na época do crime, a empresa de Pagotto era alvo de investigações por conta das ligações com o esquema de contratos superfaturados para limpeza de fossas e galerias de esgoto. A CPI da Lama, criada para investigar as supostas irregularidades nos contratos da Hidrobrasil, empresa de Pagotto, foi suspensa pelo TJES, a pedido de Luiz Paulo.
Entre a confirmação do júri pelo STJ e a marcação do júri popular – ocorrida apenas no dia 2 de maio deste ano –, três juízes se declaram impedidos para atuar no processo. Neste intervalo, os autos do processo chegaram a aguardar por mais de cinco meses a resposta de um simples ofício nos desvãos do Tribunal de Justiça na gestão do ex-presidente, desembargador Manoel Alves Rabelo.

