O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo) serão debatidos em seminários nas cidades de Vila Valério (noroeste) e Piúma (sul) nesta sexta-feira (27) e sábado (28), respectivamente. A iniciativa é da deputada federal Iriny Lopes (PT). Ela pretende, assim, ampliar a interlocução entre o campo e o governo federal, garantindo políticas de educação na área.
O Pronatec foi criado pelo governo federal em 2011 e tem como objetivos ampliar o acesso à educação técnica de nível médio, bem como interiorizar o acesso, melhorar as condições de ensino e ampliar a oferta de vagas em cursos desse tipo. Dentro dele, funciona o Pronacampo, que é direcionado à formação de trabalhadores do campo em cursos técnicos, sobretudo quilombolas e agricultores familiares, com um conjunto de ações articuladas com os eixos de gestão e práticas pedagógicas, formação de professores, educação de jovens e adultos e educação profissional e tecnológica.
No Brasil, mais de 6,2 milhões matriculas estão atribuídas a 76 mil escolas rurais, nas quais trabalham 342 mil professores. No Estado, o Pronacampo abrange 35 municípios onde, além de cursos técnicos como operador de informática, assistente de planejamento e controle e operador de informática, são oferecidos cursos ligados ao desenvolvimento no campo, como de agricultura familiar, cafeicultura e horticultura orgânica.
Para o coordenador estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Bruno Pilon, o Pronacampo ainda não é ideal, mas já representa uma conquista para o trabalhador do campo, que teve as possibilidades de trabalho no campesinato multiplicadas. Entretanto, a falta de acesso dos camponeses ao ensino superior ainda é um entrave que poderia ser resolvido e, assim, estreitar a relação entre o campo e a cidade.
O MPA capixaba ainda não articulou uma ação junto ao programa, mas há militantes que são beneficiados pelo Pronacampo. Para Bruno, o programa deve envolver o campesinato e os movimentos sociais, além de desenvolver cursos que sirvam ao campo – ao invés de promover outros ligados, por exemplo, a maquinários, que só beneficiam o agronegócio.
Na programação dos seminários, que é a mesma nos dois dias, haverá palestras sobre os programas com Antônio Lídio de Mattos Zambon, coordenador-geral de Políticas do Campo do Ministério da Educação e Cultura (MEC), e Allan Razera, coordenador do Pronatec do Campo no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), além de exposições de lideranças regionais, procedidas de um debate.

