As práticas de espionagem e infiltração praticadas pela Vale contra movimentos sociais foram denunciadas pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, como contraponto à assembleia de acionistas da mineradora realizada anualmente para tentar provar que a empresa é responsável social e ambientalmente. Além dos casos registrados no Brasil, com violações de direitos humanos e ambientais cometidas nas regiões onde estão localizados os empreendimentos da mineradora, a entidade apresentou os graves impactos da Vale no Peru, Moçambique e Canadá. A entidade divulgou ainda contrapropagandas às publicidades da mineradora, mostrando os reais impactos causados em todo o mundo pela empresa, ao contrário do que é vendido à sociedade.
A Articulação lembra do escândalo que veio à tona no início de 2013, após denúncia do ex-gerente da empresa André Almeida, que apresentou dossiês que revelam monitoramento de lideranças de movimentos sociais, inclusive no Espírito Santo. O documento aponta a espionagem a membros do Movimento Xingu Vivo para Sempre, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Justiça nos Trilhos; o acesso da mineradora às informações do Infoseg e da Receita Federal; além da infiltração de espiões em reuniões e encontros de entidades que representam obstáculos aos interesses da mineradora.
“A empresa afirmou que ia fazer uma investigação e se posicionar publicamente sobre o caso, mas isso não ocorreu. Assim como também não há informações de que ela abandonou esse tipo de prática”, ressaltou o pesquisador Gabriel Strautman, da Justiça Global. Apesar da gravidade das denúncias, o caso até hoje não foi devidamente apurado.
Também consta no panorama feito pela Articulação dos Atingidos pela Vale o caso da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), implantada no distrito de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, em modelo semelhante ao projeto da empresa programado para Ubu, em Anchieta, com a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU). Os impactos do empreendimento da Vale em parceria com a alemã Thyssenkrupp motivaram a criação da “Campanha Pare TKCSA”.
A CSA funciona sem licença de operação desde março deste ano e, desde sua instalação, já foi embargada pelo Ministério do Trabalho, multada por órgãos ambientais após pressão da sociedade e alvo de dois processos criminais movidos pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por sucessivos prejuízos sociais ambientais, econômicos e de saúde pública.

No Canadá, quatro operários das operações de cobre em Sudbury morreram em menos de três anos devido à falta de segurança.

