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Movimentos sociais do campo ocupam Sedu por tempo indeterminado

Fotos: Leonardo Sá / Porã
Educadores, sem-terras, índigenas, quilombolas e camponeses ocuparam na manhã desta quinta-feira (5) a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) por tempo indeterminado. Protestam contra o que consideram morosidade do governo Paulo Hartung (PMDB) em relação às demandas dos movimentos do campo. A mobilização reúne cerca de 500 pessoas, que aguardam reunião com o secretário de Estado da Educação, Haroldo Correa Rocha. 
 
Os manifestantes ameaçam não deixar o local até que sejam atendidas as demandas dos movimentos que compõem o Comitê Estadual de Educação do Campo. A principal delas é a aprovação das diretrizes da educação no campo, mas eles também exigem providências sobre o fechamento e sucateamento das escolas da área rural.

O ato conta ainda com a participação dos integrantes do comitê, de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado (Fetaes), da Rede de Associações das Escolas Famílias Agrícolas e do Movimento de Educação Promocional do Estado (Mepes).

 

Essas reivindicações já haviam sido apresentadas ao secretário de Educação em outra ocupação realizada na Sedu, em fevereiro deste ano. Na ocasião, Haroldo se comprometeu a atendê-las, o que não aconteceu até hoje. 
 
As entidades apontam que houve um retrocesso no setor desde o início do atual mandato e atribuem a responsabilidade ao governador Paulo Hartung, por não priorizar a educação. 
 
Com a justificativa de corte de gastos, a atual gestão reduziu a contratação de professores para este ano e tentou extinguir a gerência da educação no campo. A Sedu também faz pressão para fechar as escolas que têm poucos alunos e, em alguns municípios, quer fundir turmas de séries diferentes.
 
Para as lideranças do campo, as medidas tomadas pelo governo desconsideram as especificidades da educação da reforma agrária. “A escola no campo deve ser um lugar agradável e que valorize a realidade camponesa, mas o Estado não está se preocupando com isso”, destacou Luciene Erculino, do coletivo de Educação do MPA.

 
Dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgados pela direção nacional do MST, apontam que nos últimos 15 anos, mais de 37 mil unidades educacionais foram fechadas no meio rural, o que representa uma média de oito escolas por dia no País.
 
No Espírito Santo, em 2000 existiam 3.062 escolas no campo. Os últimos dados divulgados pela Secretaria de Educação, porém, mostram que em 2009 esse número já totalizava 1.715.
 
Nessas unidades, é aplicada a pedagogia de alternância, que intercala um período de convivência na sala de aula com outro no campo, garantindo a permanência dos alunos no meio rural.

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