A organização 350.org lançou a campanha “Não vote em ruralista”, que tem como principal foco chamar atenção para o papel que parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária, a chamada bancada ruralista, têm desempenhado no Congresso Nacional. Além disso, com os portais de acesso a informações dos candidatos disponibilizados pela entidade, é possível consultar o nome e a situação também dos candidatos aos demais cargos.
O site (http://naovoteemruralista.org/) da campanha possui uma apresentação bastante didática e bem fundamentada, na qual explica por meio de infográfico as iniciativas recentes de políticos ligados ao agronegócio, como a ofensiva recente contra direitos indígenas, além de desconstruir argumentos utilizados pelos representantes do setor. Embora os latifúndios para produção industrial de produtos para exportação ocupem a maior parte das terras brasileiras, 70% dos alimentos consumidos no Brasil são produzidos pela agricultura familiar, como aponta a 350.org.
A organização também disponibiliza aos eleitores a lista organizada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), apontando quem são os ruralistas no Congresso Nacional, a relação dos políticos que votaram pela diminuição da proteção de florestas com a flexibilização do Código Florestal, e a ferramenta de consultas sobre a “lista suja” da escravidão desenvolvida pela Repórter Brasil, que identifica os candidatos envolvidos com exploração de pessoas.
Apesar de nenhum deputado ou senador capixaba aparecer diretamente na lista, a bancada capixaba tende a apoiar os pleitos dos ruralistas, de acordo com informações publicadas pela própria organização. Dos deputados federais, apenas o atual prefeito da Serra, Audifax Barcelos (PSB), votou contra a aprovação do atual Código Florestal, quando era deputado federal. Jorge Silva (PROS), Carlos Manato (SDD), Sueli Vidigal (PDT), os peemedebistas Camilo Cola, Lelo Coimbra e Rose de Freitas, Paulo Foletto (PSB), Lauriete (PSC) e César Colnago (PSDB) votaram favoravelmente à flexibilização da legislação ambiental. Destes, apenas Sueli Vidigal e Lauriete não são candidatas novamente. Rose de Freitas é candidata ao Senado, enquanto Colnago é candidato a vice-governador na chapa de Paulo Hartung (PMDB).
A organização também sugere verificar se o candidato possui fazendas. “Não que isso defina se o político é ou não ruralista, mas já é uma pista a mais para você formar opinião sobre seu candidato”, explica. Entre os candidatos capixabas ao Congresso, declararam posse de imóveis rurais Manato, Foletto e Rose de Freitas. Na lista do trabalho escravo disponibilizada pela Repórter Brasil e que reúne informações do Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Lista Suja do Trabalho Escravo, consta o Complexo Agroindustrial Pindobas Ltda, em Conceição do Castelo, sul do Estado, de propriedade do deputado federal Camilo Cola (PMDB).
Também é possível consultar, na ferramenta “Às Claras” (http://www.asclaras.org.br/), sugerida na campanha, os doadores de campanha dos candidatos nas últimas eleições (a versão 2014 ainda não está disponível) e perceber as empresas financiadoras que são ligadas ao agronegócio, como a exploração do eucalipto, comum no Estado.
É possível conferir, por exemplo, que o governador Renato Casagrande, candidato à reeleição) recebeu verba de grandes empresas poluidoras para a campanha de 2010, como a Suzano Papel e Celulose (R$ 76.990,33), Aracruz Celulose (Fibria) (R$ 250 mil), Gerdau (R$ 100 mil) e ArcelorMittal (R$ 500 mil). Já Hartung, recebeu para a campanha de 2006 verbas da antiga CST – ArcelorMittal – (R$ 600 mil), da Aracruz Celulose (R$ 201.500,00), do Grupo Coimex (R$ 170 mil) e da Suzano (R$ 70 mil).

