A Prefeitura de Sooretama (norte do Estado), comandada por Esmael Loureiro (PMDB), afirmou que não procede a denúncia, feita por agricultores do município vizinho de Linhares, de que estaria fazendo um lixão em uma área próxima à nascente do Córrego da Jacutinga, que divide os dois municípios.
A prefeitura alega que não há lixo depositado na área, mas informa que o local funciona temporariamente como base para transferência dos resíduos do veículo coletor para contêineres. Na mesma área, diz, será construído um galpão de triagem.
De acordo com a assessoria de imprensa da administração municipal, a área é cercada por telas e funcionários atuam para evitar que materiais contaminem o ambiente da cercania. Além disso, a prefeitura já estaria providenciando meios para a destinação final do lixo.
Entretanto, os agricultores que denunciaram a atividade reiteram que uma escavadeira continua trabalhando no aterramento do lixo, feito próximo à nascente do córrego, sem qualquer tipo de proteção ou impermeabilização. De acordo com eles, mesmo que seja feito um local de transbordo, a área não é indicada para o trabalho com lixo, já que registra lençol freático alto, a menos de um metro de profundidade, o que gera riscos de contaminação da água, em episódios de fortes chuvas. Ainda de acordo com os agricultores, um antigo lixão da própria prefeitura já foi embargado no mesmo local.
Os agricultores de Linhares identificaram o derramamento de lixo no local há cerca de três semanas quando, para a operação, também houve retirada da vegetação local. Eles alertam que não houve qualquer consulta à população local e, caso chova, o lixo e o chorume serão espalhados, contaminando a água de todo o córrego, o que torna a questão ainda mais grave. De acordo com eles, após a diminuição do volume hídrico de vários córregos da região, o Jacutinga passou a ser o de maior quantidade de água.
A Polícia Militar Ambiental, acionada pelos agricultores, foi ao local e constatou que se trata de uma área de transbordo, onde o lixo é selecionado e colocado em contêineres para ser transportado até o município de Cariacica. Portanto, a operação não foi considerada um crime ambiental. Em função da denúncia, equipes técnicas do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) também devem visitar o local, porém, sem data marcada.

