“A criminalização das drogas põe a população entre o tráfico e a polícia. O resultado dessa verdadeira guerra civil é o extermínio dos jovens nas periferias”. A liberação das drogas é uma das bandeiras de campanha do candidato ao Senado pelo PSTU, Raphael Furtado, entrevistado da TV Guarapari na noite dessa quinta-feira (28).
Com a mediação de Ricardo Conde, Furtado foi sabatinado pelos jornalistas José Rabelo (Século Diário) e Antonino Campos (jornal Hora da Gente). Durante os 45 minutos de programa, o professor de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Campus São Mateus, norte do Estado) navegou por temas como mobilidade urbana, reestatização dos serviços públicos, reforma política e violência. (Assista abaixo a entrevista completa).
O candidato do PSTU explicou por que defende a liberalização das drogas. Segundo ele, a indústria do álcool, controlada hoje no Brasil pela Ambev, é muito mais nociva à população. “Esse é hoje um dos negócios mais rentáveis do país. Outras substâncias, que produzem efeitos semelhantes [aos do álcool], são arbitrariamente criminalizadas. Não existe critério para dizer o que pode ou não ser usado”.
Ele afirmou que a criminalização das drogas põe a população, sobretudo os jovens das periferias, entre o tráfico e a polícia. “Mesmo com a criminalização, quem quer comprar droga compra. Essa guerra [contra as drogas] é um fracasso. A criminalização das drogas é a criminalização da pobreza”.
Furtado propõe que o Estado assuma a distribuição das drogas e use os recursos arrecadados para oferecer uma rede de atendimento digna para reabilitar os dependentes.
Campanha desigual
O candidato do PSTU, partido que não tem representação no Congresso Nacional, reclamou que tem sido excluído de alguns debates e entrevistas, por parte da “mídia burguesa”. Ele reconheceu o espaço democrático aberto pela TV Guarapari, que convidou para a sabatina todos os candidatos ao governo e Senado. Ele lamentou que no dia 5 de outubro muitos eleitores vão chegar às urnas sem saber que há cinco candidatos ao Senado e não quatro.
Ele não vê a reforma política como solução para pôr fim à desigualdade na disputa, mas acha que as mudanças na legislação são necessárias para reduzir o abismo que há hoje. Para o candidato do PSTU, é preciso garantir um espaço igualitário nos programas eleitorais, debates e entrevistas.
O financiamento público de campanha é outro ponto defendido por Furtado. Ele acrescentou ainda que esse valor deve ser modesto. “Não deve ser um valor para o candidato fazer shows pirotécnicos, essa pieguice, mas apenas para apresentar ideias e defender propostas”, resumiu.
Enquanto a reforma não sai do papel, o candidato lamenta que conta com apenas R$ 10 mil para bancar as campanhas dele e do candidato a deputado estadual, Filipe Skiter. O jornalista de Século Diário informou ao candidato que uma campanha para o Senado nestas eleições deve custar, em média, R$ 5 milhões, e para deputado federal, R$ 3 milhões.
Raphael Furtado ressaltou que os candidatos não têm R$ 5 milhões para tirar do bolso, e que os financiadores dessas campanhas vão cobrar mais tarde o retorno do investimento. “O financiamento das campanhas está na raiz das políticas que são feitas e na raiz da própria corrupção”.
Violência contra a mulher
Na pergunta sorteada de outros candidatos ao Senado, Furtado respondeu a questão formulada por João Coser. O petista tentou usar a pergunta para exaltar as ações do período em que esteve à frente da Prefeitura de Vitória. Coser destacou os programas de inclusão social e direitos humanos feitos pelo seu governo.
Ao sentir o efeito bumerangue da pergunta, Furtado protestou. “O candidato fez a pergunta para se promover. Discordo do balanço que ele fez, mas vou pegar a questão da violência contra a mulher que é importante”. Ele lembrou que o Espírito Santo é o estado brasileiro onde mais se mata mulheres. Furtado disse que a média de 11 homicídios por 100 mil mulheres e quase o dobro da nacional (6/100 mil).
Ele criticou a cultura do machismo e disse que é preciso criar uma política específica de empregos para a mulher. “A dependência financeira do homem torna a mulher mais vulnerável à violência”.
Furtado chamou atenção também para o fato de a mulher ser submetida à dupla jornada de trabalho (dentro e fora de casa). Disse também que o poder público precisa aumentar os investimentos na rede de proteção à mulher, criando mais delegacias especializadas e casas abrigos. Ele acrescentou ainda que o governo da presidente Dilma investe R$ 0,26 por mulher para promover programas de prevenção à violência. “É uma quanta ínfima”, protestou.
TV Guarapari-Século Diário
Século Diário participa da série de entrevistas a convite da TV Guarapari. Os repórteres do jornal, sempre em conjunto com um jornalista local, estão sabatinando os candidatos a governador e senador nesta série de entrevistas da TV Guarapari (veja cronograma abaixo).
Entre os candidatos ao governo, já foram entrevistados Roberto Carlos (PT) e Mauro Ribeiro (PCB). Na corrida ao Senado Federal, passarm pela sabatina a candidata do PMDB Rose de Freitas e Raphael Furtado do PSTU.
Confira a programação da série de entrevistas
Candidatos ao governo
01/09 – Paulo Hartung (PMDB) – não confirmou presença
08/09 – Renato Casagrande (PSB)
15/09 – Camila Valadão (PSOL)
Candidatos ao Senado
04|09 – Neucimar Fraga (PV)
11|09 – João Coser (PT)
18|09 – André Moreira (PSOL)

