Governador Ricardo Ferraço “fecha” o cabo eleitoral que faltava: Arnaldinho Borgo

Há exatos 13 dias, afirmei aqui na coluna que o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), estava a um passo de vestir a camisa de cabo eleitoral do governador, Ricardo Ferraço (MDB), consolidando de vez o fim do enredo envolvendo um namoro sem futuro com a oposição, leia-se Lorenzo Pazolini (Republicanos), e os ecos de traição ao grupo de Renato Casagrande (PSB), responsável por injetar altos volumes de recursos em obras no município. Pois bem, essa hora chegou, marcando a retomada oficial do prefeito ao seu bloco de origem, depois das turbulências iniciadas ainda em fevereiro. O retorno do trio Ricardo-Arnaldinho-Casão, distribuindo sorrisos e elogios, foi sacramentado em inauguração da Praça de Araças, na noite de sexta-feira (17). Do lado do prefeito, conserta uma série de “trapalhadas” geradas pela ânsia de se candidatar ao governo no lugar de Ricardo, furando a fila palaciana, o que acabou custando caro para ele no campo partidário e eleitoral. Além disso, mantém sua gestão em alta no quesito entregas para a população, no reboque da gestão estadual. Do lado de Ricardo, fecha em favor de seu palanque à sucessão o principal campo da região metropolitana, que concentra o maior número de eleitores do Estado, ficando de fora somente a Capital, que segue nas mãos de Pazolini, apesar do título agora de ex-prefeito. Euclério Sampaio (MDB), em Cariacica; Weverson Meireles (PDT), na Serra; e Vanderson Bueno, em Viana (Podemos); já estão há meses incensando o nome de Ricardo em eventos, entregas e andanças pelos bairros dos respectivos municípios. Restava apenas Arnaldinho, que saiu do pleito de 2024 com um potencial de votos nada dispensável, de mais de 79%. A propósito, Euclério ultrapassou essa marca, com 88,4%, e Vanderson mais ainda, com 92,4%, embora num universo populacional bem menor. O quanto tudo isso vai representar de terreno loteado para o governador, é impossível prever, mas o xadrez metropolitano agora está “dominado”.
Time a postos
Euclério, como não poderia deixar de ser, também estava na inauguração. Ele foi o primeiro a abraçar o palanque de Ricardo e segue como o cabo eleitoral número um. É o responsável por puxar os encontros “Vamos Nessa”, que teve mais uma edição, dessa vez na Capital, e iniciou com Ricardo visitas a feiras em Cariacica, estratégia que tem sido bastante explorada por Pazolini.
Times a postos II
Outro que não faltou, e nem poderia, foi o deputado federal Victor Linhalis, que quase viu seu projeto de reeleição naufragar pelo PSDB, e recebeu uma boia de salvação no PSB. A chapa do partido está pesada, o que exige a ele gastar muita sola de sapato para conseguir se manter na Casa. Arnaldinho tem o projeto do aliado como meta, assim como em 2022.
Mais números
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados nas eleições de 2024 indicam o tabuleiro em jogo: a Serra se mantém como o maior colégio eleitoral do Estado, com 362,5 mil; seguida de Vitória, com 266,5 mil; Cariacica, com 278,1 mil; Vila Velha, com 345,2 mil; e Viana, com 54,2 mil. Se dependesse só dos números, Ricardo estaria eleito, mas em política o “buraco é sempre mais embaixo”.
‘Auê’ interno
Na Câmara da Capital, a primeira sessão após a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a eleição da Mesa Diretora em agosto, manteve o “auê” do assunto mais nos bastidores. Nesta segunda-feira (20), somente os vereadores André Brandino (Podemos) e Professor Jocelino (PT) passaram rapidamente pela questão.
Reação tímida
Os dois integram o G16, grupo que defende a disputa em agosto, como determinado no Regimento Interno, e que tem o vereador Dalto Neves (SD) como candidato à Presidência. Brandino só avisou que o pleito pode mudar de data, mas seu voto se mantém em Dalto, enquanto Jocelino defendeu “respeito à decisão do STF”.
Vitória judicial
A sentença é de sexta-feira, e responde à ação movida pelo atual presidente, Anderson Goggi (Republicanos). Ele e outros dois vereadores do seu partido, Davi Esmael e Luiz Emanuel Zouain, além de Leonardo Monjardim (Novo) e Armandinho Fontoura (PL), são o bloco à parte do G16 e a favor da disputa após as eleições gerais de outubro, como já investia Pazolini antes de deixar o cargo.
Efeitos
Após a sessão, Goggi convocou uma reunião do Colégio de Líderes, para resolver o “disse-me-disse” interno. O resultado logo vem à tona, considerando que os ânimos já estavam exaltados antes, com embates em plenário e “batalhas” de discursos.
Argumento
Gilmar Mendes apontou que o artigo da Câmara que versa sobre o mês de agosto é inconstitucional e que há prejuízos na realização dos dois processos ao mesmo tempo, até porque, alguns vereadores também serão candidatos este ano, podendo alterar a composição da Casa. Veremos os próximos capítulos!
Nas redes
“Celebrando parcerias e transformações (…) destaquei o trabalho do atual governador Ricardo Ferraço e do nosso eterno governador Renato Casagrande, e do prefeito de Vila Velha Arnaldinho Borgo, reconhecendo as entregas e os investimentos que têm impulsionado o desenvolvimento de cidades como Vila Velha e Cariacica (…) a responsabilidade política precisa estar voltada para resultados concretos, deixando de lado disputas ideológicas (…)”. Euclério Sampaio, na inauguração em Vila Velha.

