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‘Abraço de PH’ quer levar unanimidade do gabinete para as ruas

Em menos de duas semanas de trabalho já dá para sentir o dedo de Jorge Oliveira na campanha do candidato ao governo Paulo Hartung. O marqueteiro, autor do gesto da mudança na campanha vitoriosa de Luciano Rezende (PPS) à Prefeitura da Capital nas eleições de 2012, já criou uma identidade para a campanha do ex-governador: o gesto do abraço. 
 
Quem observar com olhar mais atento o novo vídeo de campanha do candidato do PMDB vai perceber que do começo ao fim aparecem imagens de Hartung abraçando a população. Enquanto o jingle “martela” para o Espírito Santo “abraçar o Paulo”, imagens de pessoas fazendo o gesto do abraço se multiplicam nos 21 segundos de exibição. 
 
 
O gesto é o mesmo da recente campanha “Carinho de Verdade”. Na peça publicitária, a apresentadora Xuxa faz o gesto (imagem acima) para passar a mensagem que está abraçando a causa das crianças que sofrem violência. No caso de Hartung, o marqueteiro quer transmitir a seguinte mensagem: “abraçando o Paulo você está abraçando o futuro do Espírito Santo”. 
 
No vídeo, muito bem construído, por sinal, Jorge Oliveira tenta trabalhar uma das principais fraquezas do candidato: a falta de identidade com o povão. Mesmo quem é eleitor de Hartung reconhece que o governador nunca foi um “homem do povo”.  Durante os oito anos em que governou o Estado foram raríssimas as incursões de Hartung pelas ruas, no meio da multidão. Definitivamente, o então governador sempre manteve distância dos movimentos sociais e de outros segmentos da sociedade civil organizada. Essa nunca foi a praia dele. 
 
Hartung, na verdade, nunca precisou “apelar” para o povão porque as últimas eleições foram decididas de dentro do gabinete, no conforto do ar refrigerado. Nas eleições de 2006, por exemplo, Hartung não precisou gastar saliva e sola de sapato para conquistar votos. A estratégia sempre foi “limpar o campo” para evitar a disputa. O famoso arranjo da unanimidade.
 
Nas eleições deste ano, após decidir mexer na ordem da fila, ao vetar a reeleição de Casagrande, Hartung, consequentemente, pôs fim à unanimidade. O governador Renato Casagrande (PSB), que também se elegeu em 2010 graças à unanimidade, fez de tudo para não desconstruir o arranjo vencedor, mas o ex-governador sabia que o embate era inevitável, já que os dois querem a mesma coisa no mesmo momento: o comando do Palácio Anchieta. 
 
A disputa polarizada é um campo desconhecido para Hartung. Afinal, faz tempo que ele não disputa uma eleição pra valer. O ex-governador, porém, sabe que não seria possível vencer estas eleições de dentro do gabinete. Bem que ele gostaria. O jeito é sair para as ruas, ambiente hostil para Hartung, onde ele se sente um peixe fora d’água. 
 
 
Nas suas andanças pelo anterior, neste início de campanha, muitos capixabas têm confessado que ainda não tinham visto Paulo Hartung em carne e osso, tão distante é a figura do ex-governador. A imagem que o cidadão médio fazia ou faz de Hartung é um líder onipotente, virtualizado, uma espécie de Deus recluso ao Olimpo, quase inatingível.
 
Mas o marqueteiro Jorge Oliveira está trabalhando duro para construir um outro candidato. Um Hartung humanizado, que se emociona, que sorri, enfim, que tem sentimentos, que sente vontade de abraçar o povo. A ideia agora é recriar Hartung como o homem capaz de construir a unanimidade, desta vez, nas ruas, com o povo, para recolocar o Espírito Santo nos trilhos do crescimento novamente
 
Se Jorge Oliveira é um excelente estrategista de campanha, Paulo Hartung também tem se mostrado bom ator.  Disciplinado e disposto a fazer o que for necessário para vencer as eleições, Hartung convence no vídeo que sempre esteve próximo da população.
 
 
Oportunamente, a equipe de campanha conseguiu até uma foto (acima) de Hartung pegando um bebê no colo durante a campanha de 2006, em Itaguaçu. A imegem em preto e branco dá ideia de que essa ligação estreita de Hartung com o povo é antiga, sempre existiu. Ao lado da imagem de 2006, uma foto recente mostra o menno oito anos depois abraçando Hartung.
 
Além do vídeo, as imagens e textos fazem menção à nova estratégia do abraço no Facebook e no site oficial de campanha. Resta ao eleitor avaliar se Hartung realmente decidiu cair nos braços do povo ou se a estratégia do abraço não passa de uma embalagem nova para vender um velho produto. 

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