O apoio declarado do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) à reeleição do governador Renato Casagrande, em 2014, mina as pretensões do senador Ricardo Ferraço (PMDB), que até então vinha sendo tratado como a “carta na manga” do grupo do ex-governador Paulo Hartung para a disputa ao governo em 2014.
A paz selada entre Casagrande e Ferraço, no entanto – com direito a juras de amor e tudo o mais -, muda completamente o cenário político de 2014 para Ricardo Ferraço. Durante a campanha eleitoral deste ano, Ferraço foi visto várias vezes caminhando com o filho e com lideranças do grupo de Hartung, como o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) e companhia, dando a entender que o grupo estava reunindo forças com vistas às eleições de 2014.
Naquele momento, a relação entre Casagrande e Ferraço fora azedada pelo impasse em torno da PEC da reeleição, que permitiria a recondução de demista à presidência da Assembleia. Prontamente, Hartung estendeu a mão e puxou Ferraço para o seu lado, o identificando como um aliado em potencial, no caso de Ricardo se consolidar como candidato da legenda na disputa para o governo.
Na entrevista que deu a Gazeta nesse domingo (2), porém, o próprio Ferraço sucumbiu o projeto do filho, ao afirmar que Ricardo era mais útil no Senado que disputando o governo. E frisou, para que não houvesse mais dúvidas, que seu candidato para 2014 era Renato Casagrande.
Mesmo com o apoio explícito e bem-vindo, Casagrande, preocupado em assegurar o equilíbrio de forças – como fez durante todo o processo eleitoral deste ano -, vem se empenhando para manter o PMDB na mão do grupo de Hartung. Ele trabalha alinhado com o plano de reeleger Lelo presidente estadual da legenda, o que já é praticamente dado como certo.
O virtual adversário de Lelo, no PMDB, seria o deputado Sérgio Borges, que tem nas mãos os chamados históricos do partido, que são contra a recondução do candidato de Hartung para o comando da sigla. Borges também já sinalizou que não vai obstruir os planos de Hartung de assegurar o controle do PMDB até as eleições de 2014, deixando o caminho livre para Lelo.
Fechado, porém, fica o caminho para Ricardo disputar o governo em 2014. Com o golpe de Ferraço, Hartung, por enquanto, trabalha com o foco na vaga do Senado, mas sem um nome próprio, já que a deputada federal Rose de Freitas (PMDB), que almeja a vaga, está riscada dos planos do ex-governador.
Não será surpresa se Hartung decidir buscar um nome de fora do partido para apoiar. Como Ferraço se aproximou de Casagrande, depois de atravessarem um período de turbulência, não seria difícil que Hartung voltasse também às boas com o prefeito João Coser (PT), que poderia se tornar o candidato do ex-governador para frear as pretensões de Rose.

