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Atendimento infantil abala relação entre Prefeitura de Vila Velha e Palácio Anchieta

Parece ter durado pouco o armistício firmado entre o governador Paulo Hartung (PMDB) e o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB). A superlotação do Pronto Atendimento da Glória, com crianças esperando em cadeiras porque a rede estadual está recusando os pacientes, desencadeou um embate entre prefeitura e governo, que pode ter repercussões políticas.
 
Com o Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba) se recusando a receber os pacientes e o Infantil de Vitória em reformas, o PA da Glória enfrenta superlotação no atendimento infantil. Diante do problema, o prefeito Max Filho reagiu em nota à imprensa, na sexta-feira (31), afirmando que sem o suporte do Estado, a situação se torna insustentável.
 
A reação veio com o secretário de Saúde do Estado, Ricardo de Oliveira, que criticou a estrutura do município, como se Vila Velha estivesse jogando a responsabilidade para o Estado, embora PA não tenha a função de internação, apenas de atendimento de urgência e encaminhamento para os hospitais da rede estadual, que funcionam como retaguarda, sobretudo para os casos de internação.
 
O tom usado pelo secretário acirra os ânimos com a prefeitura, pois cobra uma competência do município que, na verdade, é do Estado, que tenta desvirtuar o foco do problema. O embate chama atenção dos meios políticos por dois motivos: a falta de entendimento dos prefeitos da Grande Vitória com o governo e o histórico de Max e Hartung.
 
No primeiro caso, o assunto ganha destaque porque é a terceira investida, só este ano, de um prefeito da Grande Vitória, que contraria o governo em menos de um mês. O prefeito de Viana, Gilson Daniel (PV), foi o primeiro a “peitar” o governador com sua insistência na disputa pela presidência da Associação dos Municípios do Estado (Amunes). Ele deixou a disputa, não sem antes, divulgar uma carta revelando toda a manobra palaciana que levou ao esvaziamento de sua chapa.
 
Na semana passada foi a vez do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), desagradar o governo do Estado, considerando a possibilidade de finalizar o contrato de concessão de água e esgoto da Capital com a Cesan, o que estragaria os planos do governador Paulo Hartung (PMDB) de vender a empresa, já que Vitória é o principal atrativo para o negócio.
 
Em relação ao histórico de Max Filho e Hartung, a classe política remonta o período em que Max governou a cidade, entre 2000 e 2008, em que ele enfrentou muitas dificuldades políticas e econômicas por causa de uma espécie de embargo pelo governo do Estado. Isolado do Palácio Anchieta, o prefeito ficou sem ajuda do Estado na gestão.
 
Desde que se elegeu deputado federal, em 2014, Max Filho vinha mantendo uma relação harmoniosa como governador Paulo Hartung, mas parecia estar sempre pisando em ovos. A decisão de disputar a prefeitura de Vila Velha, porém, não estavam, segundo os meios políticos, nos planos do governador. O conflito por causa do atendimento infantil pode ter posto fim a essa trégua.

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