domingo, abril 26, 2026
21.9 C
Vitória
domingo, abril 26, 2026
domingo, abril 26, 2026

Leia Também:

Casagrande rege mudanças buscando equilíbrio na base

Renata Oliveira e Nerter Samora

 

As mudanças na Assembleia Legislativa e no secretariado vão exigir habilidade política do governador Renato Casagrande. O Papo de Repórter desta semana analisa as movimentações que o governador sugere que serão feitas neste fim de ano e início de 2013. 

Renata – Fim de ano é época de balanço e o ano novo deve trazer pelo jeito mudanças. O governador Renato Casagrande deve aproveitar esse período fazer algumas avaliações e escolhas que vão afetar a conjuntura política do Estado. Essas mudanças envolvem principalmente a Assembleia e prometem movimentar a base do governador, que vai ter que usar habilidade para que as mexidas das peças não causem atritos entre os aliados de seu governo. Em princípio, parece haver um interesse em agradar ao PT, fortalecendo a bancada na Assembleia e acomodando as lideranças desalojadas com o fim das eleições deste ano, não é? 

Nerter – Sim. A movimentação de levar o prefeito de Cariacica, sem mandato a partir de 1º de janeiro, Helder Salomão, para a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, além de abrigar um dos quadros com potencial do PT, evitando seu desgaste na planície, também fortalece a bancada da Assembleia, com o retorno do atual titular da pasta, Rodrigo Coelho, para a Casa. Nessa mudança não tem problema. O que estaria irritando a Assembleia é a ideia de ele levar Roberto Carlos para Casa Civil. Os parlamentares não querem Roberto Carlos na pasta, não querem ver um deputado de primeiro mandato, do PT, em uma secretaria que trabalha com articulação política. Isso de jeito nenhum. 

Renata – Aí temos um primeiro problema. Casagrande tem um compromisso com Esmael Almeida (PMDB), que hoje ocupa a cadeira que é de Rodrigo Coelho. Para o PMDB, se Esmael sair não haverá chororô algum, porque ele elegeu o filho, Davi Esmael, para Câmara de Vitória pelo PSB. Alguns peemedebistas acham que sua vontade de agradar ao governador é maior do que o interesse partidário. Mas, repetindo, Casagrande tem um compromisso com Esmael e não vai deixá-lo na mão. Aí temos o problema número dois. O governador terá que puxar alguém da Assembleia para manter Esmael. A bancada é formada por PMDB, PT e PSB. Ele não vai tirar o único socialista da Casa. Nos meios políticos, a ideia de chamar um peemedebista não cola. Vai fazer o quê? Os deputados querem que ele alivie a bancada do PT, porque com cinco parlamentares, o partido incomoda o resto da Casa. 

Nerter – Bom, vai surgir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) em maio, com a aposentadoria do conselheiro Marcos Madureira, que atingirá a idade limite de 70 anos para ocupar o cargo. A indicação é da Assembleia e há um lobby para que o deputado petista Claudio Vereza assuma a vaga dele. Aí temos mais um problema, porque o governador quer que Dary Pagung (PRP) assuma a vaga. Ele teria um perfil, digamos, mais dócil ao governador Renato Casagrande, que até agora não emplacou nenhum aliado, mesmo, no Tribunal. Então, se ele insistir em Pagung, segue o impasse sobre o tamanho da bancada do PT. Embora, a classe política esteja preocupada, mesmo com outras mudanças na Assembleia. O problema é que a vaga será aberta só no final do primeiro semestre, a menos que Madureira antecipe a aposentadoria. 

Renata – Pois é, a chegada de Euclério Sampaio (PDT) e a possível entrada de Max Mauro (PTB) são outros problemas que estão deixando os deputados de cabelo em pé. É que ainda existe o ranço de Paulo Hartung impregnado nos nos postulantes. Como os dois têm um perfil crítico em relação ao ex-governador, os colegas temem que isso traga problemas. Mas para a preocupação pode ser exagerada. Afinal, os tempos são serem outros, Hartung terá uma boa banca de “advogados” na Casa. Paulo Roberto, mais uma vez driblando a legislação eleitoral, entra no segundo tempo do jogo. Além dele, Elcio Alvares também garante a defesa do governo Paulo Hartung. Paulo Roberto na verdade vai servir a dois senhores: Hartung, até porque foi líder do governo dele, e Casagrande, que fez a costura que garantiu a entrada do mateense na Assembleia. 

Nerter – Por falar em costura, nas movimentações de Casagrande tem espaço até para o PSDB, não é? O partido não deve ficar com as duas vagas a que tinha direito na Assembleia, mas conseguiu um cargo de articulação com os municípios. Vem para comandar uma estratégia de integração, o que em um cenário de dificuldades e com a experiência em gestão do Luiz Paulo é uma coisa importante, mas não deixa de ser um cargo pequeno se comparado ao peso da liderança. 

Renata – Pois é. Mas até que ponto essa parceria com o PSDB poderá ir é que são elas. O PSDB esteve no palanque oposto ao de Casagrande em 2010. Nas eleições municipais, os tucanos estiveram em um lado diferente do que o governador, pelo menos na disputam em Vitória. Vamos agora aos números frios: o governador já tem 16 partidos para acomodar, agora, tenta colocar o PSDB nesse balaio também. Um balaio que já tem o PT, aliado histórico do PSB. Isso parece que não vai dar muito certo, não. Será que os tucanos vão ficar satisfeitos com um cargo de segunda importância? Será que os petistas vão aceitar essa parceria com os tucanos? 

Nerter – Em meio a toda essa movimentação da Assembleia, ainda temos a cereja do bolo: a reeleição de Theodorico Ferraço (DEM) para a presidência da Casa. O governador Casagrande deu o sinal verde para que os deputados assinassem a tal PEC, mas exigiu as outras cadeiras da Mesa. Até aí não vejo dificuldade. A PEC deve ser aprovada em segundo turno, nesta terça, sem problemas e Ferração pode ir para o recesso parlamentar tranquilo de que será reconduzido ao cargo. Um prêmio de consolação pelas derrotas sofridas no sul do Estado na eleição deste ano. 

Renata – Tem um dado que eu vou acompanhar de perto. Nessa de negociar a presidência da Assembleia, A Procuradoria Geral do Estado (PGE) freou de novo a discussão dos 11.98% dos servidores da Assembleia. Theodorico para pressionar o governo fez disso uma bandeira e o governador por picuinha política barrou o diálogo sobre o assunto. Ferração anda bem quietinho sobre o assunto. Será que isso também foi incluído na negociação da presidência. O tempo vai responder isso. 

Nerter – Bem observado, Renata. O fato é que as movimentações do governador em relação às mexidas na sua base política têm um objetivo muito claro de cimentar seu palanque de reeleição em 2014 e nesse sentido ele está sendo bem competente. Se ele conseguir fazer essas movimentações e aparar todas as arestas que acabamos de expor nesse papo, ele vai sair muito fortalecido para a disputa. 

Renata – Esse fortalecimento é importante porque ele precisa ter uma base muito sólida, afinal o seu antecessor continua na janela, observando o movimento, bem de perto. 

Mais Lidas