A escolha do novo candidato a presidente pelo PSB passa pela influência do governador Renato Casagrande no partido. Secretário-geral da sigla, Casagrande sempre foi o “segundo homem” no partido. Ao lado de Eduardo Campos, ajudou a fortalecer o ninho da pomba. Isso porque há grande resistência dentro do partido para a confirmação do nome da ex-senadora Marina Silva (Rede) como candidata no lugar de Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo nessa quarta-feira (13) em Santos, litoral paulista.
A influência de Renato Casagrande na discussão, que deve se construir a partir da próxima semana pode ser explicada pelo perfil do governador nas articulações políticas internas do PSB. Ele tem uma atuação partidária muito parecida com a de Campos, de impor um processo de comando forte no partido.
Em um momento de fragmentação do PSB, esse perfil pode ajudar a unir o partido para a eleição. A ligação do governador Casagrande com Campos e com o PSB lhe dá legitimidade para influir no processo de escolha.
Como o partido deverá ter muitas vozes dissonantes sobre a escolha, o governador pode trazer ao lado do grupo que defende o projeto do Campos para o partido.
O PSB tem alguns caminhos a seguir nesta discussão. O partido pode confirmar a tendência de confirmar o nome de Marina e acreditar que ela dará sequência ao projeto socialista. Há também a possibilidade de aderir à pressão que deve ser exercida pelo PT no partido. Os tucanos, os mais prejudicados com a possibilidade de Marina disputar, também vão tentar conquistar o PSB.
Entre as lideranças socialistas nacionais, a resistência à candidatura de Marina Silva como representante do projeto presidencial é grande. Além da dificuldade que a ex-senadora tem para o fechamento de acordos, os socialistas criticam a lentidão na tomada de decisões da ex-senadora, defende posições conservadoras em determinados assuntos.
Localmente, a definição em nível nacional em favor de Marina Silva favorece Casagrande, não só pelo fato de ela ter vencido o primeiro turno na eleição de 2010 no Espírito Santo. Mas porque ela mantém o vínculo com o palanque nacional já criado por Eduardo Campos.

