Uma diferença sensível nos programas eleitorais de Renato Casagrande (PSB) e de Paulo Hartung (PMDB) é a relação com os candidatos a presidente por seus partidos ou coligações. Enquanto a presidenciável Marina Silva tem aparecido nos programas do socialista no Estado, o ex-governador tem evitado a ligação com o candidato do PSDB, Aécio Neves, para quem estaria fazendo palanque no Estado.
Marina Silva entrou na disputa no mês passado, com a morte trágica do candidato do PSB, Eduardo Campos. Em menos de 15 dias, conseguiu atingir um volume de campanha grande. Aparece em condições de levar a disputa para o segundo turno e venceria a eleição contra a presidente Dilma Rousseff (PT).
Até o momento, Marina Silva não tem mostrado capacidade de transferência de votos, pois a captação da ex-senadora é muito pessoal. Ter uma candidata com seu potencial é uma ferramenta a mais para se explorar em uma campanha polarizada. Com a vinda da ex-senadora ainda este mês ao Estado, o fortalecimento que ela poderá trazer à campanha de Casagrande poderá ser analisada com mais clareza.
Já o ex-governador Paulo Hartung vem usando o mecanismo contrário. Com a subida de Marina Silva, o candidato do PSDB, senador Aécio Neves, deixou de ser o principal nome de oposição. Se a eleição fosse hoje, a tendência seria a de ele ficar fora do segundo turno.
Neste sentido, ter um candidato em queda não ajuda o ex-governador na disputa polarizada. Desde o início da campanha na TV, por exemplo, não se vê a campanha casada de Hartung e Aécio Neves, o que teria, inclusive, irritado o presidenciável, que chegou a cancelar a vinda ao Estado recentemente.
Depois de um lançamento festivo de sua campanha no Estado, ainda em julho, em que Hartung fez discurso de apoio a Aécio, o ex-governador tem abandonado o barco tucano. Sem poder aderir ao palanque de Dilma Rousseff (PT) e muito distante do palanque de Marina Silva, o ex-governador tem evitado o discurso nacional, para não ter ligação com a disputa nacional, que se tornou imprevisível a esta a altura.

