A discussão sobre a derrubada do veto 38/2012 à lei que redistribui os royalties do petróleo está colocando a deputada Rose de Freitas (PMDB) no centro da polêmica. A parlamentar vive momentos de altos e baixos por conta da condução das sessões do Congresso Nacional para debater o veto.
A deputada vive um momento complicado porque, como vice-presidente da Câmara, vem comandado as sessões do Congresso na impossibilidade do senador José Sarney (PMDB-AP). Ou o posicionamento de Rose agrada aos estados produtores, Espírito Santo e Rio de Janeiro, ou desagrada o restante dos parlamentares do País que querem a derrubada do veto da presidente Dilma Rousseff.
Na semana passada, Rose de Freitas experimentou a ira dos deputados do Rio de Janeiro e de sua própria bancada. O clima era tenso na sessão que aprovou a urgência na votação do veto, depois derrubada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. Para os parlamentares capixabas e fluminenses, a deputada, que presidiu a sessão, desrespeitou o regimento único do Congresso.
Se as duas bancadas falaram cobras e lagartos de Rose de Freitas, parlamentares de 24 estados e do Distrito Federal festejaram o posicionamento da parlamentar. Rose que havia colocado o nome para a disputa à presidência da Câmara, segundo observadores, para dividir votos com outros candidatos, favorecendo a eleição do colega de partido, Henrique Alves (PMDB-RN), ganhou apoio entre os deputados que já a colocavam como uma grande concorrente à cadeira.
Mas a confusão gerada nessa quarta-feira (19) com a sessão do Congresso que votaria em bloco mais de três mil vetos, mudou o cenário. As bancadas dos estados produtores festejaram a posição de Rose, que cancelou a sessão para a votação dos vetos, por falta de acordo entre os líderes. Já os demais parlamentares acusam Rose de puxar a sardinha para a sua brasa, ou seja, como é deputada pelo Espírito Santo, estaria favorecendo os estados produtores, minoria no Congresso.
Depois que a sessão da manhã foi encerrada, o deputado Fábio Ramalho (PV-MG), por exemplo, saiu gritando que a vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas, havia dado um “golpe” nos parlamentares, porque não seria possível apreciar os vetos.
Esse é só um exemplo que mostra o tamanho da pressão que a deputada tem vivido. Mesmo assim, ela tem tentado conduzir os trabalhos diante de muitos ânimos exaltados. O problema é que os vetos colocados em votação não eram de simples análise, no pacote havia pelo menos 18 matérias polêmicas e oportunistas que já previam manobras para mexer em projetos complicados, como a Emenda 29, que trata de recursos da Saúde.
Enquanto os líderes tentavam resolver no grito, os deputados e senadores do Rio de Janeiro e Espírito Santo buscavam mecanismos jurídicos para tentar barrara votação em bloco, recorrendo ao Supremo para suspender a votação.
Para os meios políticos, à frente dessas sessões, o posicionamento de Rose de Freitas vai colocá-la em uma posição de perde e ganha. O adiamento da decisão sobre os vetos que impedem a votação da lei dos royalties pode enfraquecê-la na disputa pela presidência da Câmara e fortalecê-la politicamente no cenário capixaba para 2014. Do contrário, Rose pode ganhar a Mesa da Câmara, mas complicará seu futuro político no Espírito Santo.

