O candidato ao Senado João Coser foi o entrevistado da TV Guarapari na noite dessa quinta-feira (11). O petista se sentiu à vontade para falar sobre as ações que pretende pôr em prática no Senado, caso saia vitorioso da disputa do próximo dia 5. Mas tergiversou ao responder perguntas relacionadas aos desacertos políticos do PT capixaba, do qual é o presidente.
Numa das perguntas que incomodaram Coser, o jornalista de Século Diário, José Rabelo, que dividiu a bancada com o jornalista Sandro Venturin (Rede Sim), quis saber detalhes sobre as articulações do candidato com o PT nacional para viabilizar o palanque Dilma-Hartung num eventual segundo turno.
Assista abaixo a íntegra da entrevista do candidato ao Senado João Coser
Coser não confirmou a conversa com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, mas acabou admitindo que sempre existe a possibilidade de acordos. Ele acrescentou que a decisão de fechar o palanque com Dilma e Hartung depende do candidato do PMDB e não da presidente.
O petista lembrou que Hartung fez a opção pelo PSDB de Aécio Neves. “Estávamos trabalhando a aliança com o PMDB, mas eles já tinham um candidato [Rose Freitas]”. Coser, que também tinha como projeto pessoal o Senado, entendeu que a aliança ficaria inviabilizada.
Preocupado em não “fritar” de vez a frágil candidatura de Roberto Carlos, Coser fez questão de frisar que qualquer conversa sobre um palanque entre PMDB-PT só seria feita no segundo turno. E deixou a pista: “Nosso projeto mais importante é a reeleição da presidenta Dilma. Vamos buscar os acordos que fortaleçam esse projeto, respeitando as outras candidaturas”.
Coser também foi questionado sobre sua estratégia de optar pelo Senado em vez do governo. O repórter de Século Diário destacou que a disputa polarizada entre Renato Casagrande (PSB) e Paulo Hartung (PMDB) poderia fortalecer uma terceira via, caso o PT tivesse uma liderança forte concorrendo ao governo.
Coser justificou que alimentava o projeto do Senado desde que deixou a Prefeitura de Vitória, em 2012. Ele disse que poderia ter feito opção pela Câmara que, teoricamente, seria uma disputa mais simples, ou mesmo concorrer ao governo, mas insistiu na tese de que o PT está sendo bem representando com Roberto Carlos, embora o candidato não consiga romper o teto dos 3% das intenções de votos.
Ainda defendendo sua opção, o petista afirmou que o fortalecimento do Senado também é uma meta do PT nacional para estas eleições. “O partido acha que precisamos melhorar a representatividade no Senado”, justificou. Ele lembrou ainda que o PT capixaba nunca teve um representante eleito no Senado (Ana Rita entrou como suplente de Casagrande).
João Coser disse ainda que teria disposição de disputar o governo se fosse a vontade do partido. “Mas como o professor Roberto Carlos se colocou, fui para a disputa ao Senado”.
O candidato do PT foi eleito deputado estadual por dois mandatos consecutivos (1987-1995), seguido por dois mandatos de deputado federal (1995-2003). Em 2004 foi eleito prefeito de Vitória, e se reelegeu em 2008, no primeiro turno.
Nesta eleição Coser disputa novamente o Senado depois de 12 anos. Em 2002 o petista foi derrotado por Magno Malta (PR) e Gerson Camata (PMDB). Na ocasião, ele conquistou pouco mais de 19% dos votos válidos, ficando em terceiro lugar.
No final da entrevista, o candidato transitou em temas polêmicas. Afirmou ser contra a pena de morte; disse que a questão em torno do casamento de pessoas do mesmo sexo já foi pacificada pela legislação civil, e que respeita as opções religiosas e sexuais das pessoas.
Coser admitiu também que é contra a redução da maioridade penal para adolescentes atores de atos infracionais. Ele disse que é preciso investir em educação e em políticas públicas que incluam e protejam a juventude.“Os jovens têm de ter perspectiva de vida”, finalizou
TV Guarapari-Século Diário
Século Diário participa da série de entrevistas a convite da TV Guarapari. Os repórteres do jornal, sempre em conjunto com um jornalista local, estão sabatinando os candidatos a governador e senador nesta série de entrevistas.
Entre os candidatos ao governo, já foram entrevistados Roberto Carlos (PT), Mauro Ribeiro (PCB) e Renato Casagrande (PSB). Paulo Hartung (PMDB), que seria o entrevistado no último dia 1, não confirmou presença e não deu qualquer explicação sobre sua ausência. Na corrida ao Senado Federal, já passaram pela sabatina, além de João Coser, a candidata do PMDB Rose de Freitas, Raphael Furtado do PSTU e Neucimar Fraga (PV). Na próxima segunda-feira (15), a candidata entrevistada é Camila Valadão (PSOL), que fecha a séerie de entrevistas dos candidatos ao governo. Na corrida ao Senado, a série será encerrada com o candidato do PSOL ao Senado, André Moreira, que será entrevostado na quinta (18).

