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Debate eleitoral vai provar se Roberto Carlos é ou não candidato laranja

Quando foi anunciado candidato de última hora ao governo, o mercado político compreendeu que o deputado Roberto Carlos aceitara a missão de ser candidato laranja do PT com o simples propósito de garantir um palanque para a presidente Dilma no Estado.
 
Na ocasião das convenções partidárias país afora, uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo destacava as candidaturas-tampão do PT nos estados, e incluiu o Espírito Santo como um caso típico. 
 
A matéria do jornal paulista explicava que as candidaturas-tampão tinham o objetivo de “estancar conflitos entre legendas aliadas no Estado, mas adversárias no plano nacional, ou virar moeda de negociação”. No caso do PT capixaba, vale a segunda hipótese. Além de não deixar a presidente no chão, a candidatura do deputado petista seria usada para atender aos interesses do candidato ao Senado João Coser, aliado de primeira hora de Paulo Hartung, que disputa o governo pelo PMDB.
 
Apesar das evidências, Roberto Carlos repeliu com veemência o rótulo de laranja. Mas não é a indignação do petista que vai provar o contrário. É o próprio processo eleitoral que vai esclarecer se a candidatura de Roberto Carlos é mesmo para valer. 
 
Com 4min02 de propaganda eleitoral na TV, o PT, que fez uma coligação de última hora com o PDT, tem um tempo invejável. Ainda mais se compararmos com outras coligações. A frente de Casagrande, por exemplo, que congrega 19 partidos, terá 6min55. 
 
O tempo é mais do que suficiente para Roberto Carlos mostrar a que veio. Ou ele vai se superar como ator e convencer o eleitor que está com os dois pés na disputa ou vai acabar deixando transparecer que está na eleição a passeio.
 
Se na TV o candidato pode contar com recursos técnicos e com a ajuda dos assessores para passar uma mensagem “verdadeira”, será nos debates que o eleitor poderá tirar a prova dos nove e avaliar se Roberto é ou não laranja. 
 
Independente de a candidatura ser ou não tampão, mesmo na inércia, Roberto Carlos pode levar mais de 10% dos votos. O partido tem um bom tempo de TV, uma militância ativa, e pode contar com aparições extraordinárias de Dilma e Lula, que pode chacoalhar qualquer palanque, por mais desacreditado que seja.
 
Se Roberto Carlos crescer e a laranja virar laranjada, o bagaço do suco pode parar na goela de Coser, que pode ter problemas para explicar para Hartung o crescimento surpreendente do candidato do seu partido, que poderia levar a disputa para segundo turno, criando um cenário mais duro para Hartung numa possível disputa com Casagrande.

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