domingo, abril 26, 2026
21.9 C
Vitória
domingo, abril 26, 2026
domingo, abril 26, 2026

Leia Também:

Denúncia contra prefeito eleito retoma clima de instabilidade política em Viana

A denúncia de crime eleitoral envolvendo o prefeito eleito de Viana, Gilson Daniel (PV), impedido de ser diplomado nesta quarta-feira (19), retoma o clima de instabilidade político vivido no município há três anos. No ano de 2009, a prefeitura chegou a ser comandada pelo presidente da Câmara de Vereadores. Agora, o prefeito eleito se defende na Justiça Eleitoral sobre uma acusação de compra de votos no pleito deste ano e busca tomar posse no próximo dia 1º de janeiro. 

Esse clima de indefinição foi alvo de protestos de moradores de Viana durante a cerimônia de diplomação dos vereadores eleitos e suplentes, na tarde desta quarta-feira no Fórum do município. Em frente ao local, os apoiadores do prefeito eleito cantaram o jingle de campanha do verde e gritavam frases de apoio à diplomação de Gilson Daniel e do vice, José dos Santos da Silva, o Faustão (PDT) – ambos não compareceram ao local. 

Por conta do protesto, a Justiça Eleitoral convocou um grande contingente da Polícia Militar para a manutenção da ordem. Viaturas do Batalhão de Missões Especiais (BME) e do Grupo de Operações Táticas (GOT), além do apoio da cavalaria ficaram de prontidão nas imediações do fórum. A manifestação terminou sem incidentes, mas os protestos contra uma suposta campanha de perseguição ao prefeito eleito ficaram evidentes. 

Uma das explicações para os protestos é a memória de um passado político conturbado no município. Essa não é a primeira vez que o município corre o risco de ser governado pelo chefe do Legislativo. Em 2009, a atual prefeita Ângela Sias (PMDB) e o vice Carlos Lopes (PSB) foram afastados do cargo. Eles foram acusados do uso da máquina pública em favor da candidatura. A peemedebista era apoiada pelo ex-prefeita Solange Lube (PMDB), que foi derrotada por Gilson Daniel no pleito deste ano. 

Na época, o município foi comandado por dois dias pelo presidente da Câmara. Ângela Sias retomou o cargo, mas ficou às voltas de decisões judiciais para se manter no cargo. Nos meios políticos, esse é o principal temor que aconteça na futura gestão. Por enquanto, o prefeito eleito Gilson Daniel anunciou que a defesa está recorrendo da decisão ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) para garantir a posse no próximo dia 1º. 

Na última segunda-feira (17), a juíza eleitoral de Viana, Maria Aparecida Lopes Gomes, acolheu o pedido liminar do Ministério Público Eleitoral (MPE) para suspender a diplomação do prefeito eleito. A promotoria eleitoral deu entrada como o pedido de abertura de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o prefeito e vice-prefeito eleitos.

Gilson Daniel é acusado de ter de compra de voto e o recebimento de R$ 3 mil de doações não contabilizadas (caixa dois) na campanha. Ele nega todas as acusações, assim como qualquer ligação com acusados de tráfico de drogas – que surgiram na esteira das investigações repassadas pelo juízo da Vara de Inquéritos da Capital.

Na ação, o MPE pede a anulação das eleições municipais, caso seja reconhecido o abuso de poder dos denunciados após a instrução do processo. Se for considerada procedente, as acusações podem resultar em um novo pleito no município.

Mais Lidas