O deputado Gilsinho Lopes (PR) não escondeu a contrariedade com a manobra do bloco governista para tirar de suas mãos o comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pó Preto.
A Assembleia Legislativa aprovou nesta segunda-feira (9) requerimento do deputado Rafael Favatto (PEN) para criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que irá apurar as denúncias de poluição do ar nos municípios da Grande Vitória. A instalação da CPI do Pó Preto foi assinada por 26 parlamentares (veja relação abaixo). Na sessão ordinária, Gilsinho sublinhou que a criação do colegiado é um avanço, mas questionou o porquê de não ter sido procurado para assinar o pedido.
O presidente da ONG Juntos SOS Espírito Santo Ambiental, Eraylton Moreschi Júnior (foto à direita), disse que as entidades vão estar vigilantes ao trabalho da CPI. Os representantes da entidade estiveram reunidos no início da tarde com o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), para entregar um relatório sobre as atividades da entidade, como a manifestação desse domingo (8), na orla de Camburi. Ferraço recebeu um documento pedindo providências da Assembleia na defesa da saúde e qualidade de vida dos capixabas. Os demais deputados também receberam um documento, acompanhado de um saquinho com pó preto. O ex-deputado estadual Nelson Aguiar fez a entrega a um a um dos deputados dentro do plenário.

A entidade também pediu a participação do deputado Gilsinho Lopes, proponente do pedido anterior ao da CPI de Rafael Favatto.
Os ambientalistas foram orientados a procurar o coordenador do bloco partidário, Rodrigo Coelho (PT), para garantir a participação de Gilsinho e de outro deputado do grupo que havia assinado o pedido anterior para criação da CPI, que terá ao todo cinco membros.
Em seu discurso na tribuna da Casa, Gilsinho afirmou que ainda que seja alijado da CPI, participará de todas as sessões para cobrar a apuração dos danos ambientais causados pelas empresas poluidoras instaladas na Grande Vitória.
Gilsinho agradeceu aos deputados que haviam assinado o pedido de instalação e que não retiraram as assinaturas: Enivaldo dos Anjos (PSD), Amaro Neto (PPS), Sandro Locutor (PPS), Hercules Silveira (PMDB), Sérgio Majeski (PSDB), Guerino Zanon (PMDB) e Freitas (PSB) e lembrou os parlamentares que retiraram a assinatura Euclério Sampaio (PDT) e Marcos Bruno (PRTB).
Gilsinho afirmou ainda que se fosse procurado também assinaria o requerimento pela coerência, já que defende a criação da CPI há três anos. Em meio à sessão, ele e Favatto apertaram as mãos, indicando um acordo para que o parlamentar participe das apurações. “Quero dizer aos ambientalistas e a todos que participaram da caminhada que, se eu tiver a oportunidade, eu quero participar. Estarei presente em todas as reuniões e farei todos os requerimentos necessários. Quero crer que todos que integrarem a CPI estarão com desprendimento e sem rancor”, aformou o deputado do PR.
Depois de Gilsinho, foi a vez de Favatto falar sobre a criação da CPI e disse que a comissão vai apurar o todos os fatos sobre o papel das empresas poluidoras e que pretende incluir as ONGs, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o governo do Estado no debate. O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) pediu um aparte para cobrar independência e a responsabilização das empresas poluidoras, que em nome da geração de poucos empregos contribuem para a morte de muitos capixabas por causa dos danos à saúde provocados pela emissão dos poluentes. Pediu ainda a prisão dos diretores das empresas.
No horário das lideranças, Enivaldo retornou à tribuna e endureceu o discurso em relacão às poluidoras, sobretudo com relação à Vale. Ele destacou a gravidade de a planta industrial estar instalada na Grande Vitória e afirmou que a geração de empregos nao justifica os malefícios à saúde da população. Ele voltou a defender a responsabiização dos diretores da empresa a respeito dos problemas de saúde e ambientais gerados na produção do minério de ferro.
Ainda sobre o tema, o deputado Sérgio Majeski (PSDB) lembrou que os dados utilizados pela comissão devem ser baseados em pesquisas científicas isentas, e não as financiadas pelas poluidoras.
Veja quem assinou
O requerimento para criação da CPI do Pó Preto foi assinado pelos deputados Almir Vieira (PRP), Amaro Neto (PPS), Bruno Lamas (PSB), Da Vitória (PDT), Dary Pagung (PRP), Doutor Hércules (PMDB), Rafael Favatto (PEN), Edson Magalhães (DEM), Eliana Dadalto (PTC), Enivaldo dos Anjos (PSD), Erick Musso (PP), Euclério Sampaio (PDT), Freitas (PSB), Gildevan Fernandes (PV), Gilsinho Lopes (PR), Guerino Zanon (PMDB), Hudson Leal (PRP), Janete de Sá (PMN), Marcelo Santos (PMDB), Nunes (PT), Padre Honório (PT), Professor Marcos Bruno (PRTB), Raquel Lessa (SDD), Rodrigo Coelho (PT), Sandro Locutor (PPS) e Sérgio Majeski (PSDB).
Não assinaram a CPI quatro deputados. Ferraço disse que é presidente e não precisa assinar. Cacau Lorenzoni (PP) alegou que já havia assinaturas suficientes para a abertura da CPI, Luzia Toledo (PMDB) diz ser contra a abertura da CPI, e Marcos Mansur (PSDB) disse que assinará quando for procurado.

