Mazinho e Vandinho defenderam governo, enquanto Alcântaro e Polese atacaram

A Assembleia Legislativa do Estado (Ales) realizou sessão ordinária nesta segunda-feira (10), após paralisação para obras no Plenário, e um assunto acabou prevalecendo nos discursos: o rombo financeiro envolvendo a Apex Partners e suas relações com o poder público. De um lado, os deputados Mazinho dos Anjos e Vandinho Leite (ambos do MDB) saíram em defesa do Governo do Estado, enquanto Alcântaro Filho (Republicanos) e Lucas Polese (PL) partiram para o ataque.
Alcântaro puxou a fila dizendo que o caso pode se tornar o “maior escândalo de corrupção da história do Estado”. Ele defendeu o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema proposto por Polese e instou o governador Ricardo Ferraço (MDB) a se posicionar. “Seu filho aprontou junto aos demais? Você precisa dar uma resposta clara!”, discursou.
Mazinho dos Anjos subiu à tribuna logo depois, e criticou o “uso eleitoral” do episódio. Segundo ele, não há dinheiro público envolvido no caso, que se trata de uma questão privada. Ele reprovou, ainda, o que considerou como “ataques à honra e à família”, o que transcende o “limite ético” do debate político.
Em aparte à fala de Mazinho, Vandinho Leite, líder do governo na Ales, se colocou como alguém que “estuda mais economia do que política” e classificou como “desespero” a tentativa de imputar corrupção na gestão estadual. Segundo ele, não há dinheiro do Fundo Soberano na Apex Partners, e o BTG Pactual, parceiro da Apex, “é o maior banco de investimentos da América Latina” e ganhou uma concorrência pública para gerir o Fundo de Descarbonização.
Vandinho ainda criticou o uso do termo “Banco Master Capixaba”. “Se tem alguém que não esteve no Master, foi Ricardo e Renato”, comentou, acrescentando que, ao contrário, Estados governados por partidos da oposição estão metidos no escândalo da instituição financeira de Daniel Vorcaro. O Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro, aplicou R$ 3 bilhões no Master durante o governo de Claudio Castro (PL).
Já Lucas Polese defendeu que o caso precisa ser investigado. Afirmou que o Fundo de Descarbonização passou a ser gerido pelo BTG após uma licitação sem “transparência nenhuma”, e citou a relação anterior do banco com a Apex Partners. Afirmou ter recebido denúncias de empresários que gostariam de investir no Fundo Soberano, mas que se depararam com a necessidade de “pagar pedágio” à Apex. Ele citou ainda que a empresa “deslanchou” após os filhos do governador e ex-governador entrarem para o negócio.
O caso
Na semana passada, a Apex Partners, uma das maiores plataformas de investimentos do Espírito Santo, anunciou o afastamento do presidente e cofundador, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, e do diretor financeiro, Eduardo Siqueira, após uma auditoria interna ter encontrado um passivo de R$ 975 milhões nas finanças. Ato contínuo, a empresa conseguiu uma liminar judicial na sexta-feira (7) para preservar o patrimônio, antes que houvesse uma corrida de credores pelo resgate dos investimentos.
Em meio às notícias sobre o rombo, veio à tona a relação direta da Apex com a elite política e empresarial capixaba. Pedro Chieppe Ferraço, filho do governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (MDB), é vice-presidente e acionista da empresa, e Victor Casagrande, filho do ex-governador e candidato a senador Renato Casagrande (PSB), é diretor institucional. Além disso, o economista-chefe da plataforma é Arilton Teixeira, irmão de Aridelmo Teixeira (PSD), ex-secretário de Fazenda e de Governo do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), também candidato a governador.
Entre as empresas associadas à Apex estão a Carbyne Investimentos, gestora do patrimônio; o Futura Inteligência, que realiza pesquisas eleitorais e de mercado; o Folha Bussiness, plataforma de conteúdo empresarial ligada à Rede Vitória; e o banco BTG Pactual, que decidiu rescindir contrato de distribuição de produtos e serviços financeiros em meio às notícias negativas. Mas a Apex administra diversos ativos em ramos importantes, como o imobiliário. No ano passado, adquiriu de Aridelmo Teixeira suas ações na Fucape Bussiness School – ele é um dos fundadores da instituição de ensino superior.
Também surgiram suspeitas de que o Fundo Soberano do Estado do Espírito Santo (Funses) poderia ter feito investimentos na Apex. O BTG Pactual atua na gestão do Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, que tem recursos provenientes do Funses. Entretanto, o Governo do Estado negou qualquer aporte de recursos públicos na plataforma de investimentos.

