A situação política da deputada federal Rose de Freitas (PMDB) se complicou no Estado depois do episódio da fatídica sessão conjunta do Congresso Nacional, na última quarta-feira (12), em que foi aprovada a urgência da votação do veto ao projeto de distribuição dos royalties do petróleo.
A parlamentar já demonstra sinais de ter sentido o baque, abrindo mão da coordenação da bancada capixaba. A impressão do mercado político é de que a deputada, que antes contava apenas com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) como grande adversário – já que ele imprimiu uma perseguição a ela durante seu governo, dificultando o crescimento político de Rose –, agora tem mais lideranças tentando limá-la do processo político.
Embora o entendimento no Congresso caminhasse para uma derrubada do veto de qualquer forma, Rose foi considerada a culpada pela aceleração do processo, principalmente depois que o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar impedindo a votação do veto em regime de urgência.
A repercussão do caso acabou por condenar a parlamentar pelo episódio e ela ficou mal com a bancada capixaba, os prefeitos que a apoiam e o governo do Estado, que lutam pela manutenção dos royalties com a fatia maior para os estados produtores, no caso Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Para aumentar o grau de intolerância com Rose, o fato de ela ter lançado o nome à presidência da Casa criou a ideia nos meios políticos de que a deputada tentou fazer jogo de cena com os deputados dos 24 estados não produtores, apesar de sua candidatura ser considerada na Casa uma estratégia do PMDB para dividir os votos, facilitando a eleição do deputado Henrique Alves (PMDB-RN).
A repercussão do episódio deve ter reflexos em 2014, com o rótulo de culpada pela derrota dos estados produtores. Embora não seja, ela deve ficar fora da disputa ao Senado. Com o enfraquecimento político de Paulo Hartung, a deputada tinha chances de conquistar a vaga, mas o desgaste trazido pelo episódio deve dificultar, inclusive, sua candidatura à reeleição à Câmara dos Deputados.
Rose foi acusada pelos parlamentares do Rio e do Espírito Santo de não atender a Questões de Ordem apresentadas pelos parlamentares cariocas – já que os parlamentares do Espírito Santo, à exceção do senador Magno Malta (PR), não se pronunciaram durante a sessão –, que questionavam a legalidade da votação da urgência do veto.
A deputada presidiu a sessão porque o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), estava na interinidade da presidência da República, com a viagem internacional da presidente Dilma Rousseff. Como Rose é vice-presidente do Congresso, comandou a tumultuada sessão, que aprovou por grande maioria a urgência da votação.

