O Orçamento do Estado para 2015 tem sido o ponto de discórdia até aqui entre os representantes do governo Renato Casagrande e a equipe de transição do governador eleito Paulo Hartung. O bate-rebate dos coordenadores das equipes Haroldo Rocha, pelo lado de Hartung, e Guilherme Pereira, pelo lado do socialista, tem preocupado a classe política, que fica no meio do embate entre os dois grupos.
No meio da discussão está a destinação das emendas dos deputados estaduais no Orçamento. No ano passado, o valor destinado por deputado para emendas individuais foi de R$ 1,5 milhão e o valor total da peça foi de R$ 15 bilhões.
Para 2015, a projeção do governo do Estado é de R$ 17,6 bilhões. Um percentual que foi contestado por Haroldo Corrêa Rocha, que acusou o governo atual de omitir dados.
Ele disse que a peça está superestimada, mas não explicou bem o porquê. Disse ainda que vai cobrar explicações sobre a assinatura de R$ 200 milhões, que teria feito parte de um acordo para a aprovação do Orçamento.
Para os meios políticos as movimentações em torno da peça orçamentária podem trazer embates futuros para o governo do Estado. A partir de 2003 Hartung conseguiu articular seu arranjo institucional justamente inflando os orçamentos do Judiciário, do Ministério Público e da Assembleia Legislativa.
Guilherme Pereira rebateu duramente as afirmativas de Haroldo. Ela chegou a dizer que o economista de Hartung não sabia fazer contas. O clima que pode ser se acirrar na equipe de transição preocupa as lideranças políticas.
Passadas as eleições, os dois lados parecem não estar dispostos a superar o clima da disputa e os ânimos permanecem exasperados. Foi justamente pela questão econômica que Hartung começou a tentar desconstruir o governo Casagrande, alegando aumento de gastos no governo.
Casagrande, durante a campanha, tentou mostrar que o aumento de gastos significou aumento de investimentos em pessoal e aparelhos públicos, mas o outro lado parece ter convencido o eleitor de que esses gastos “quebrariam” o Estado.
Tudo indica que a transição será bastante atribulada até a posse de Hartung e haverá cicatrizes da relação com o governo anterior. Para algumas lideranças, a expectativa é de que acabe sobrando para os deputados. Os parlamentares temem que a antiga prática de não atender as emendas individuais volte à cena e esgarce a relação entre o Executivo e o Legislativo. Isso porque no governo Paulo Hartung, muitos deputados que não eram os prediletos do governador, não conseguiam fazer com que as verbas chegassem às suas bases.

