Desde a semana passada, o senador Magno Malta (PR) tem investido em eventos com a participação de cantores evangélicos em bairros populares da Grande Vitória, já esteve com a chamada Caravana da Vida em Nova Rosa da Penha (Cariacica) e Feu Rosa (Serra), com próxima escala programada para Terra Vermelha (Vila Velha). Assim como no ano passado, Magno faz questão de ter ao seu lado a companhia de do senador Ricardo Ferraço (PSDB). Ambos terão suas vagas em disputa na eleição do próximo ano, e tentam se manter coladinhos para evitar a entrada de “intrusos” na disputa. Mas para os meios políticos, a parceria pode não ser tão benéfica quanto parece.
Isso porque o perfil dos senadores é muito diferente. Magno tem posições radiciais contra o abordo, união homoafetiva e descriminalização da macinha, além de defender com unhas e dentes a redução da maioridade penal. Todas posições controversas, que não se harmonizam com o perfil da maioria do eleitorado de Ricardo. É mais fácil Malta conseguir atrair a atenção de alguns eleitores do campo de atuação de Ricardo, que podem pegar o embalo da tendência mais conservadora. Já o contrário, é bem mais difícil. Ricardo tem um eleitorado concentrado nas classes A e B. A participação nos eventos de Malta, seria uma forma de popularizar o senador entre o eleitorado do colega de bancada, ganhando a simpatia das classes C, D e E.
Com sua mudança de barco, diante da crise do PT, que ajudou a eleger e ao se aproximar do discurso conservador, Malta conseguiu chamar a atenção de alguns eleitores das classes A e B. Mas Ferraço, embora tenha um bom desempenho no Senado, tem dificuldade eleitoral. Mesmo se gabando de ter mais de um milhão de votos, o fato é que o senador contou com uma boa estratégia em 2010, que garantiu sua eleição.
Oficialmente, ele e Malta eram companheiros de campanha, mas o tucano, à época no PMDB, fez campanha para Rita Camata (PSDB) e vice-versa. A estratégia palaciana queria barrar Malta, então desafeto de Hartung. Com a eleição dos dois as mágoas foram superadas e a necessidade de sobrevivência os aproximou.
Como o governador Paulo Hartung (PMDB) vinha ensaiando uma possível candidatura ao Senado, os dois senadores passaram a buscar uma estratégia conjunta para se fortalecer. O peemedebista teria proposto, inclusive, que Ricardo Ferraço viesse a disputar o governo, deixando o caminho livre para sua disputa, mas o tucano não aceitou a proposta e ganhou o apoio do PSDB capixaba em sua decisão. Falta, agora, Ricardo fechar a segunda parte do plano, que é se reeleger senador.

