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Em encontro estadual, PSOL decide fazer oposição ao governo Paulo Hartung

Nesse sábado (1), o diretório estadual do PSOL realizou um encontro de lideranças para avaliar o processo eleitoral deste ano. O conjunto do partido chegou à conclusão que a sigla não conseguiu a densidade eleitoral necessária no Estado e que não houve mudança programática no novo cenário capixaba. Neste sentido, o partido definiu que seu papel será o de reunir a sociedade organizada em oposição ao governo Paulo Hartung (PMDB).
 
Para os militantes do PSOL, as eleições no Espírito Santo não apontaram mudanças. Mesmo com o enfrentamento entre Renato Casagrande (PSB) e Paulo Hartung (PMDB) não houve nenhuma disputa programática. As lideranças psolistas apontaram o prenúncio desta disputa de poder em dois momentos: em 2010, com o apoio a contragosto de Hartung a Casagrande; e em 2012, quando as duas lideranças mediram forças nas eleições municipais. “O modelo de unanimidade total sofreu alguns abalos, mas a lógica política não deve sofrer grandes mudanças”, diz o documento resultante do encontro. 
 
O partido apontou ainda as semelhanças entre os dois projetos que protagonizaram a campanha eleitoral. Entre as semelhanças estão as isenções fiscais e apoio político e logístico para as grandes empresas, repressão aos movimentos sociais e precarização das políticas públicas. O documento destaca, porém, que Hartung é mais diretamente identificado com o empresariado, aposta mais na imagem de “gestor”, o que significaria maior capacidade de tomar medidas impopulares, como corte de gastos com políticas sociais para a população e favorecimento das empresas. 
 
Para as lideranças do PSOL, a candidatura de Roberto Carlos (PT) também não foi motivada por uma disputa programática e sim pela necessidade de uma candidatura de emergência para atender o palanque de Dilma Rousseff no Espírito Santo. 
 
Sobre a disputa proporcional, o PSOL discutiu a renovação de mais de 50% do plenário e a diminuição das bancadas do PT, PMDB e DEM, sem esquecer que o resultado das urnas mostra a eleição de aliados da política do governador eleito Paulo Hartung. Neste sentido, o partido entende que a possibilidade de a Casa manter seu perfil governista é grande. 
 
O partido avaliou ainda que a posição de Amaro Neto (PPS), como o mais bem votado da disputa, mostra a ascensão de um discurso conservador mais duro. “Amaro Neto (PPS) é inimigo declarado dos direitos humanos, e sua projeção se deveu a um destes programas policiais sensacionalistas, defensores da criminalização da pobreza, da repressão policial violenta sem limites e do encarceramento em massa”, diz o documento. 
 
Também não há para o partido mudanças significativas na nova bancada federal. No Senado, Rose de Freitas (PMDB) confirmou seu favoritismo e apesar de ter sido a primeira mulher eleita para a vaga no Estado, não fez qualquer recorte feminista em sua campanha. 
 
Para o governo, o PSOL foi o único partido a lançar uma mulher como candidata. “O quadro indica nitidamente que é necessário reforçar as medidas afirmativas, distribuir com mais paridade recursos de campanha e tempo de televisão, bem como investir na formação política de quadros mulheres”, afirmam as lideranças do PSOL. 
 
Na avaliação do próprio rendimento na eleição, o partido entende que ainda não houve um resultado suficiente para um ganho significativo de densidade eleitoral. 
 
“Projetamos novos nomes no cenário eleitoral: nosso candidato ao senado e nossa candidata ao governo cumpriram com muita propriedade a tarefa de disputar um programa eleitoral de esquerda, e nossos/as candidatos/as proporcionais fizeram inúmeros esforços para aproximar o partido do eleitorado levando uma proposta política alternativa com muita garra, em que pesem as inúmeras limitações e a disparidade de nossas candidaturas com o poderio econômico das demais”, avaliaram. 
 
Diante do cenário estudado, o partido entende que a organização da sigla precisa estar no topo da agenda da militância. Por isso, a orientação será a de que seus militantes assumam as tarefas do partido e nos movimentos sociais engajando-se no dia a dia das lutas populares. O objetivo é organizar um congresso do partido que não se limite à contagem de votos para cada tese. 
 
“Mesmo se tivermos sucesso em um esforço concentrado de construção partidária, não conseguiremos construir esta alternativa sozinhos. Por isso, é necessário intensificar nossas relações com outras organizações de esquerda, com a articulação de uma ampla frente social e política de oposição a Hartung. O PSOL tem condições de ser protagonista desta iniciativa”, alerta o documento.

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