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Ex-primeira-dama viajou 37 vezes sem a companhia de Paulo Hartung

A ex-primeira-dama do Estado, a psicóloga Cristina Gomes, viajou 37 vezes sem a companhia do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) entre os anos de 2007 e 2010. O levantamento feito pela reportagem de Século Diário, a partir de documentos oficiais, implodem a tese defendida pelo peemedebista, que justificou as viagens no acompanhamento das missões oficiais. O número de bilhetes emitidos em nome da ex-primeira-dama também foi atualizado, saltando de 63 para 89 (em alguns casos, as passagens de ida e volta foram desmembradas).

Durante a sabatina realizada pela Rádio CBN Vitória, nessa quarta-feira (13), o ex-governador afirmou que a mulher – a psicóloga Cristina Gomes – o acompanhava em missões oficiais ao exterior. Entretanto, o peemedebista não deu explicações sobre as viagens nacionais e tampouco as 20 diárias de hospedagem em hotéis de luxo nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Entre as novas informações levantadas pela reportagem estão os registros de dez novos bilhetes emitidos em 2009. Também foram registradas outras cinco passagens em 2010 e outras duas em 2007. Com isso, o número de passagens subiu para 89, sendo 86 registros de viagens em trechos nacionais. Já o número de viagens internacionais se manteve com as três emissões para Cingapura, Colônia (Alemanha) e Estados Unidos.

Em relação aos “destinos nacionais”, os documentos oficiais do governo estadual, divulgados com exclusividade por Século Diário, revelam que as capitais de SP e RJ foram os destinos mais visitados pela ex-primeira-dama, inclusive sem a companhia do marido. No ano de 2007, a agência de turismo Payless – responsável pela administração das passagens aéreas emitidas para o governo – registrou 12 bilhetes (de ida ou volta) em nome de Cristina Gomes, sendo nove para o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro e três para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Em 2008, o número de viagens de Cristina Gomes saltou para 17, sendo nove para o Rio de Janeiro (Galeão) e oito para São Paulo (Congonhas). Deste total, quatro viagens foram realizadas sem a companhia de Hartung. No ano seguinte, o número de passagens aéreas emitidas para a ex-primeira-dama foi semelhante, porém, o número de viagens desacompanhada do marido saltou para 13.

Paralelamente, os gastos com hospedagem de Cristina Gomes tiveram um aumento naquele ano. Em 2009, foram registradas sete diárias contra três em 2007 e duas em 2008. Chama atenção que a maior parte das hospedagens não está ligada à emissão de passagens com verbas públicas, o que coloca em xeque o principal argumento do ex-governador de que a mulher o acompanhava nas missões governamentais. Somente as diárias recebidas pela ex-primeira-dama em 2009 somaram R$ 3.102,30, incluindo estadas em hotéis de quatro e cinco estrelas – caso do tradicional Hotel Transamérica, em São Paulo, onde ficou hospedada no dia 22 de janeiro daquele ano.

Já em 2010, último ano da administração de Hartung, a ex-primeira-dama voou 32 vezes pelo País com dinheiro público. Deste total, Cristina Gomes foi acompanhado pelo marido em apenas 12 ocasiões. Ao todo, foram emitidos 22 bilhetes para São Paulo; nove para o Rio de Janeiro (seis para o Santos Dumont e uma para o Galeão) e uma passagem para Brasília – viagem que acompanhou o ex-governador.

No ofício assinado pelo secretário-chefe da Casa Militar, coronel Helvio Brostel Andrade, que respondeu ao pedido de informações feito pelo deputado estadual Sandro Locutor (PPS), não há informações sobre o objetivo das viagens desacompanhadas da ex-primeira-dama. No texto, o oficial da PM esclarece que a Casa Militar não faz registro das motivação das viagens das esposas das autoridades citadas – além da mulher do ex-governador, a atual primeira-dama Maria Virgínia Casagrande, realizou somente uma viagem a São Paulo desde o início da gestão do socialista.

Sabatina

Nessa quarta-feira, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) admitiu a realização de viagens internacionais pela então primeira-dama: “Se a Casa Militar está informando, é verdadeiro. Não tem viagem a Paris. Tem viagem à China e a Singapura. O que nós fomos fazer lá? É importante que a esposa de um governador o acompanhe em uma missão de diplomacia comercial como essa. Fomos lá trazer o estaleiro Jurong. Foi um gol de placa”, afirmou.

Durante a sabatina, Hartung tentou minimizar o escândalo ao considerar a atração de novos investimentos como o ponto primordial: “O governador tendo uma atitude proativa na atração de investimentos, isso é que nós estamos precisando no Espírito Santo”, bradou. Ele associou a viagem aos Estados Unidos à “atração” de investidores do grupo Edson Chouest – que pretende instalar um projeto portuário em Itapemirim – e à Alemanha para a participação no encontro bilateral entre os dois países.

Entretanto, o ex-governador não deu qualquer explicação sobre os gastos de verbas públicas sobre as outras viagens de Cristina – que totalizaram R$ 83,7 mil em passagens aéreas e diárias em hotéis de luxo, entre os anos de 2007 e 2010. O assunto ganhou repercussão nacional após a reprodução das informações divulgadas por Século Diário na coluna do jornalista Cláudio Humberto, que é replicado em dezenas de publicações em todo o País.

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