Em março deste ano, o jornal A Gazeta publicou uma reportagem trazendo quatro nomes de destaque para contarem suas histórias sobre a trajetória educacional. Uma dessas personalidades era o ex-secretário de Educação do Estado, Haroldo Corrêa Rocha.
Na reportagem, o economista de formação fala da importância da família em sua educação e mais, diz que fez toda a sua trajetória educacional foi feita em escola pública. Ao chegar à Secretaria de Educação, na segunda parte do governo Paulo Hartung, Haroldo implementou sua marca na gestão.
Reproduzindo a postura do Ministério da Educação, ele adotou uma gestão com base em princípios economicistas, voltado para a resolução imediata dos problemas, por meio de projetos, que demandam um gasto relevante de recursos.
Haroldo deixou a Secretaria, mas seu legado permaneceu. A expectativa dos profissionais que atuam na pasta e nas escolas era de que o início de um governo socialista trouxesse uma nova visão para a educação no Espírito Santo. Mas entrada do professor do Departamento de Física da Ufes, Klinger Barbosa, não mudou o sistema que já havia se enraizado dentro da Sedu.
Exemplo disso foi a tônica do 7º Seminário de Educação Básica e Profissional, promovido pela Subsecretaria de Educação do Estado. O evento teve como tema “Avaliação 2012 e Planejamento 2013”. No segundo dia do encontro, as equipes de trabalho abordaram a temática “Que metas vamos estabelecer para cada ação?”
A crítica dos próprios profissionais da área é de que os projetos hoje realizados pela Sedu estão focados no aluno, um modelo de escola que prevaleceu na década de 1930 e que hoje não tem mais aplicabilidade. A tendência hoje é de que o universo de escola seja considerado na sua complexidade.
Essa posição se mostra falha no momento em que as avaliações do ensino entram em cena. No que se refere ao Ensino Médio, que é de responsabilidade do governo do Estado, a nota alcançada pelo Espírito Santo na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi 3,6, registrando uma queda em relação ao ano de 2009, em que o Estado alcançou 3,8, enquanto a expectativa era a de atingir 4,1.
Além da falta de projetos complexos que envolvam escola e família na formação do aluno, outra grande crítica dos profissionais da educação é relativa ao tratamento dado aos profissionais da área e à estrutura.
No Orçamento de 2012, o governo do Estado destinou R$ 1,35 bilhão para a área. Desse montante, R$ 524,9 milhões seriam somente para custear a remuneração de profissionais do magistério. Para a reestruturação e aparelhamento das unidades central e regionais serão investidos R$ 1,3 milhão e para formação dos profissionais da educação básica, R$ 3 milhões.
Dentro deste gasto com pessoal, também está embutido o polêmico bônus desempenho, que concede às escolas que tiverem as maiores notas nas avaliações anuais – em princípio, notas de português e matemática. A intenção é fazer com que os professores produzam mais com o incentivo do recurso extra no meio do ano, mas esse mecanismo tem interferido no processo de produção do conhecimento, na gestão da escola, na relação professor/aluno e nas condições de trabalho do professor.
Em entrevista a Século Diário neste fim de semana, o especialista em políticas públicas Roberto Garcia Simões fala sobre o descompasso entre o desenvolvimento econômico que o governo do Estado prega como grande conquista da última década e a falta de atenção aos setores sociais, como no caso a Educação. Para Simões, um Estado com o nível de desenvolvimento que garante ter não pode conviver com índices tão baixos na educação.
A política adotada pela Sedu não está surtindo efeito. Pelo contrário, os índices estão caindo ou, na linguagem economicista, a meta não está sendo alcançada.

