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Ignorada na Era Hartung, violência ganha amplo destaque no governo Casagrande

É consenso que a violência é um dos problemas que mais afetam a população capixaba. Já antecipamos aqui, inclusive, que a violência pode ser a maior adversária do projeto de reeleição do governador Renato Casagrande em 2014. Partindo para a última metade do mandato, o governador ainda não obteve resultados palpáveis nos primeiros dois anos na área de Segurança Pública. 

 
É verdade que os primeiros dados referentes aos índices de homicídios de janeiro ainda não podem ser interpretados como prenúncio de uma nova explosão da violência, mas também é verdade que os números desses últimos dois anos não apontam tendência de queda, como tem defendido o secretário de Segurança Pública Henrique Herkenhoff.
 
O Espírito Santo há mais de uma década continua com taxas insuportáveis de violência, comparadas às de países que estão em plena guerra civil. As médias dos dois primeiros anos do governo Casagrande permanecem oscilando entre 46 e 48 homicídios por 100 mil habitantes. Índice que é mais que o dobro da média nacional, que está na casa de 22/100 mil.
 
Interessante neste histórico da violência capixaba é que somente de 2011 para cá a sociedade passou a se incomodar com a violência, não porque tenha havido crescimento em relação aos anos anteriores, pelo contrário, mas porque a mídia passou a noticiar com amplo destaque o problema no governo Casagrande. 
 
Nos oito anos do governo Hartung, que fez dupla na Segurança com o atual prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), nunca se matou tanto no Espírito Santo. Um comparativo feito por Século Diário, com base nos números do Mapa da Violência, apontou que as médias de homicídios no governo Hartung – que priorizou os projetos econômicos em detrimentos dos sociais – foram as maiores na série histórica, no período entre 1980 e 2010: 53 homicídios por 100 mil.
 
Em números absolutos, os resultados da gestão Hartung-Rodney também são desastrosos. Na Era Hartung, de 2003 a 2010, 14.386 foram assassinadas no Espírito Santo. Pertence também à dupla Hartung-Rodney o maior pico de homicídios registrados em um único mês no Estado. Em janeiro de 2010, 197 pessoas foram assassinadas no Estado – uma média de 6,5 mortes por dia. 
 
Apesar dos números retumbantes, a grande imprensa capixaba tratou a questão da violência muito mais do ponto de vista factual no governo Hartung, ou seja, deu destaque às ocorrências em si, em vez de interpretar politicamente os dados. 
 
Por exemplo, no caso da morte brutal do porteiro do prédio da Praia da Costa, em Vila Velha, assassinado a golpes de ferro na madrugada dessa terça (8), quando tentava impedir um assalto na loja vizinha ao edifício em que trabalhava, os jornais, no governo Hartung, tratariam o caso nas páginas policiais como mais um cruel homicídio e ponto final. No governo Casagrande, porém, as mortes ganham conotação política e rapidamente são associadas aos números da violência. Mas a informação no governo Hartung foi sonegada à população. 
 
Pior para Casagrande. Em função de acordo eleitorais, o governador, logo que assumiu o Executivo estadual, evitou fazer críticas diretas à gestão anterior, aceitando o ônus legado por seu antecessor. 
 
 
No plano de campanha de governo do socialista, ele chega a tocar suavemente no assunto Segurança. Faz questão de reconhecer os investimentos feitos na gestão anterior, mas ressalta que será preciso “um esforço organizativo e articulador de maior impacto sobre os resultados obtidos até o presente”. Casagrande ainda promete ampliar a integração entre as polícias, estruturar a perícia técnica e criar o plano de segurança “Pacto pela vida”, iniciativas que ainda não deram resultados.
 

Buscas nos sites revelam que violência foi pautada timidamente pela imprensa no governo Hartung
 
Fazendo uma busca no site gazetaonline.globo.com com a frase: “violencia no governo hartung”, o leitor vai perceber quais são os dez primeiros resultados relacionados à frase. As matérias que entram no assunto dão espaço para Hartung e Rodney justificarem os índices, ou o próprio site se encarrega de avaliar pelo viés positivo os números assustadores da violência. Como na matéria (com colaboração de vários jornalistas) “A virada de página do governo de Paulo Hartung”, que exalta a gestão do ex-governador até nas áreas que flagrantemente ele foi mal. 
 
O item “conquista” traz a seguinte informação: “1.974 homicídios (2010)”. Com o comentário: “O Estado chega ao fim do ano, estima o Instituto Jones dos Santos Neves, com um número menor de homicídios, rompendo o crescimento histórico da taxa em 20 anos”.
 
Na área de Segurança, o jornal online também mostra que houve “conquistas”, mesmo com o escândalo das masmorras, que é minimizado com a informação de que novos presídios foram construídos no final do governo. “Segurança. Os primeiros anos foram marcados por rebeliões em presídios, com presos decapitados e chefões do crime comandando a queima de ônibus nas ruas. Ações que trouxeram ao Estado a Força Nacional de Segurança. Os maus tratos a presos foram  denunciados à Comissão de Direitos Humanos da ONU e sua detenção em celas metálicas também foram alvo de denúncias ao Conselho Nacional de Justiça, que pediu sua extinção. A luta contra o crime organizado não conseguiu impedir o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. Pelo caminho ficou a Lei Seca, que restringiu a venda de bebidas alcoólicas, mas perdeu força com pouca fiscalização municipal. A  violência e o tráfico de drogas se tornaram problemas críticos. Só no final é que apareceram os sinais de mudança com a  construção de novos presídios, o que permitiu o esvaziamento dos DPJs, além do aumento do efetivo policial”. 
 
Se a busca for feita no site folhavitoria.com.br, a omissão das notícias sobre violência no governo Hartung se torna mais evidente. Ativando a busca com a mesma frase: “violencia no governo hartung”, a primeira matéria filtrada traz um artigo do próprio Hartung, que destaca o papel da família na educação. Críticas, notícias ou dados sobre os números da violência no governo passado, nada. 
 
 

Analisando o filtro das dez primeiras matérias listadas, a percepção é de que a violência, de fato, explodiu de 2011 para cá. 
 

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