O governo festeja o desenvolvimento econômico do Estado, com a atração de grandes projetos industriais e a apresentação de um PIB invejável. Mas se por um lado o Espírito Santo é rico, apresenta índices sociais alarmantes. Na segunda parte da entrevista com o especialista em políticas públicas, José Roberto Simões, ele fala sobre as razões do descompasso entre os índices.
O primeiro passo, segundo Simões, é adequar o discurso, já que na hora de brigar pelos recursos, a imagem de um Estado rico tira os argumentos para pleitear verbas com o governo central. Simões mostra também que a visão do Estado não está voltada para as políticas públicas, como segurança, saúde e educação.
A unanimidade política gerada em torno do chefe do Executivo na última década garante a sustentabilidade do governante e o desobriga sobre a necessidade do atendimento nas áreas sociais. Sem uma voz de oposição que queira discutir a situação desses gargalos, os índices não ganham repercussão política e social.
A banalização dos discursos e a diluição do impacto dos números não permitem que a sociedade tenha a real dimensão dos problemas sociais, evitando que haja a cobrança do governo do Estado.
Roberto Garcia Simões fala ainda da terceirização dos serviços públicos, como a compra de leitos, da falta de repercussão dos números da violência e da baixa média do ensino público. Ele mostra como esses setores também são importantes para o desenvolvimento do Espírito Santo.
A segunda parte da entrevista com o Roberto Simões vai ao ar neste sábado (22).

