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???O esporte abriu oportunidades na minha vida; estar perto do povo foi uma das melhores’

Fotos: Leonardo Sá/ Porã

Com 2,05 metros de altura, nascido em Marataízes, sul do Estado, Fábio Luiz diz nasceu para vencer. E nasceu mesmo. Conquistou o mundial de vôlei de praia em 2005, em Berlim, na Alemanha; medalha de prata nos jogos olímpicos de Pequim, na China e colecionou mais uma porção de títulos pelas areis do Brasil e do mundo. Mas não foi só junto à rede de vôlei que ele obteve vitórias, Fábio Luiz também avançou nos estudos. Fez faculdade de educação física, administração e agora cursa direito.

Mas foi o contado com o povo, por meio do comitê olímpico no Espírito Santo, do qual é embaixador, e as palestras que faz Estado adentro, que despertaram no campeão o interesse de conhecer uma outra praia, a da política.

Filiado ao PRP, Fábio Luiz vai concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa e está animado com mais essa disputa na sua vida. Nesta entrevista a Século Diário, ele fala sobre os motivos que o levaram à filiação partidária e as demandas que sobre o momento político favorável ao surgimento de novas lideranças políticas.

Fala também da relação com o poder, da admiração pelo governador Renato Casagrande e da preocupação com sua imagem pessoal, que conquistou ao longo destes anos de dedicação ao esporte, ao entrar neste novo desafio.

Século Diário – Por que trocar de praia: do esporte para a política?

Fábio Luiz – tudo começou quando fui nomeado embaixador do Comitê Olímpico no Espírito Santo pelo governador Renato Casagrande. Eu tive a oportunidade de conhecer todas as cidades do Espírito Santo. Conhecer os problemas, todas as comunidades, participar. O esporte abriu oportunidades na minha vida;  estar perto do povo foi uma das melhores, enetender as necessidades das pessoas. Até então tinha passado muito tempo fora. Morei nos Estados Unidos. Então você acaba aprendendo o que funciona e o que não funciona. Isso foi criando a vontade de ver coisas que eram para funcionarem no Estado e não funcionam. Isso não só no esporte, mas em todas as áreas.

– Você faz palestras no Estado. Como é essa ação?

– Trabalho os valores do esporte. Vou em escolas de ensino médio. Converso com adolescentes na fase de transição, principalmente aqueles com idades entre 16 e 17 anos. Nesse contato, fui vendo como poderia ajudar na formação desses jovens transmitindo valores através do esporte. Queria usar a experiência que adquiri com o esporte, morando fora do Brasil. Muita gente vem para a política dizendo que quer dar um novo rumo na vida, mas não se prepara. Eu não. A partir do momento em que vi o trabalho diferenciado disse: Eu posso ajudar o Espírito Santo desta forma.

– Quem te abriu o caminho para explorar este novo campo?

– O governador Renato Casagrande abriu as portas da gestão para mim, tive acesso a todas as secretarias. A do Esporte já era meio caminho, mas também tive acesso à secretaria de Saúde, com o esporte como qualidade de vida; da segurança, com o programa do governo “Esporte pela paz”, que trabalha a iniciação esportiva dentro de comunidades com alto índice de violência.

– O esporte tem essa característica de ser transversal a vários setores: saúde, educação, segurança…

– Ação Social também. Eu tive experiências nessa área em várias partes do Brasil. Por ter a parceria com o Banco do Brasil, em contraproposta, os patrocinados  tinham de participar dos eventos, dar palestras, eu fui muito em casas de recuperação dependentes químicos. Contava a minha história. Explicava como um rapaz de Marataízes está indo para a terceira faculdade. Como conquistou uma medalha olímpica. As pessoas tendem a duvidar disso. Acham que por ser do interior não temos capacidade.

– E tem essa ideia de que o esportista não segue um caminho de capacitação em outras áreas e você está na terceira faculdade.

– Sim. Fiz Educação Física, Administração e agora estou cursando Direito. Nós temos que nos preparar. O Espírito Santo está hoje em uma fase de investimentos e temos que investir no ser humano, qualificar os profissionais. Eu vejo uma falta de qualificação muito grande. Precisamos investir no profissional.

– Nas suas palestras, você fala sobre drogas também…

– Outra coisa que me deixou muito preocupado foi no convívio com os jovens e suas famílias. Nas minhas palestras eu falo sobre drogas, porque a droga é o mal do século e destrói o que temos de mais importante que é a nossa família. Eu não vejo políticas públicas voltadas para isso e estamos perdendo nossos jovens. O Espírito Santo é o segundo no Brasil em morte de jovens e eu não gostaria de ver o Estado nesta situação. E foi aí que veio essa vontade de fazer a diferença. Usar toda essa experiência que eu tenho. Está na hora de o Espírito Santo trabalhar com gente capacitada. Eu venho de Marataízes, de família pobre. Sou fruto de uma parceria que acho fundamental: educação e esporte. Eu sei a importância disso, eu vi em outros países.

– E como fazer isso no Estado?

– Acho que primeiro é preciso capacitar os profissionais desta área, valorizar. Minha esposa, por exemplo, é professora de Educação Física e converso com ela e sei o quanto esse profissional é desvalorizado. Precisamos valorizar mais o professor de maneira geral. Precisamos também envolver mais a família no processo de educação. Uma coisa que aprendi no vôlei de praia foi a montar a sua equipe e bloquear. Blindar a sua equipe. É isso que devemos fazer com a nossa família. Eu rodei esse Estado todo, entrei em cada casa, conversei com muitas famílias e chegou um determinado momento que eu deixei o esporte de lado e passei a ter experiências de vida e da mesma forma que vi as necessidades de crescimento da minha cidade, vi as necessidades de cada cidade e isso foi me tocando. Além disso, é preciso investir no jovem. Ele também precisa ser preparado, capacitado, ter oportunidades.

– Você disse que foi levado para esse campo pelo governador Renato Casagrande, que é do PSB. Mas escolheu se filiar ao PRP. Por que o PRP?

– Uns amigos de infância, de escola de Marataízes que entraram na política partidária há mais tempo que eu, viram que o PRP seria uma ótima oportunidade para mim. Um partido novo, que tem o foco nas pessoas que estão começando na vida política.

– O PRP é tido como um “bicho papão” das eleições. Em 2010 fez dois deputados estaduais. Tem uma fórmula de trabalho, colocando uma chapa equilibrada, sem grandes puxadores de votos que garante a competitividade interna. Esse equilíbrio é interessante para quem está começando?

– Para quem está começando é. O nosso coordenador político, Marcus Alves, as pessoas dizem que é uma águia. Mas isso é atrativo, porque a gente sabe da competitividade para quem já tem cargo, quem tem mandato. Eu não estou entrando na política por causa de grana, não estou entrando por causa de fama, estou entrando na política para fazer a diferença, para fazer o que precisa ser feito. Eu entrei no PRP com esse propósito. Eu preso muito pelo meu nome, então não vou ligar meu nome a pessoas que podem sujar a minha imagem.

– A Neymara Carvalho, que nos concedeu entrevista na semana passada, falava exatamente disso. Algumas pessoas a alertam para tomar cuidado com os meios políticos, justamente por ter uma imagem consolidada na sociedade, como você tem, por conta do desgaste do meio político. Como você vê isso?

– Essa é a minha preocupação também. Eu dou muito valor à minha família e antes de mais nada, minha decisão foi com a minha família , meus amigos,com pessoas da minha cidade [Marataízes]. Eles viram o meu nascimento, meu desenvolvimento até eu voltar querendo melhorar tudo. Mas uma frase do delegado Fabiano Contarato [candidato a senador pelo PR] é verdade: “A política precisa de homens de bem”. Estamos cansados dos políticos que estão aí hoje, que você vai puxar a ficha dele, e pela lei ficha-limpa, estão com o nome sujo. Nós temos que aprender a analisar os valores do candidato antes de votar.

– Em vez de afastar as pessoas de bem da política, deve-se levá-las para esse campo?

– Sim. As pessoas me falavam, por que a Neymara vai entrar na política? E eu disse que bom. Pessoas de bem venham para a política! O que temos que acabar é com a politicagem que existe no Espírito Santo. Tenho rodado o Estado e visto como funciona essa coisa da politicagem. Estes que estão começando agora como eu, se quiserem, podemos sentar e conversar, porque eu tenho passado por situações em que a politicagem se sobressai sobre a política verdadeira, bem-intencionada.

– E como é chegar para disputar com essa politicagem que está aí há tanto tempo? Eles tem o poder, tem as fórmulas matemáticas, tem o apoio financeiro…

– Não é fácil, mas você tem que colocar seus valores acima da política sempre. Quando seus valores começarem a bater de frente com a política está na hora de largar a política. Então, coloco os valores sempre acima, valores que eu trouxe de Marataízes, da minha família, dos meus amigos, valores que o esporte colocou na minha vida. Temos que descruzar os braços. Não estou aqui hoje como Fábio Luiz, medalhista olímpico. Estou aqui porque me sinto preparado para assumir essa responsabilidade, como assumir a responsabilidade como embaixador do Comitê Olímpico. Tem muita gente que tem nome na política, mas tempos que criar a cultura do político preparado, que conheça sua área, que tenha capacidade nesta área e que conheça o Espírito Santo de ponta a ponta.

– O eleitor quer isso. Os movimentos de rua do ano passado mostraram a rejeição à política tradicional, então o momento para o surgimento de novas lideranças é esse, não é?

– O momento é agora. Aquele movimento foi uma coisa muito bonita. Uma coisa de eu pegar meu filho no colo e querer participar. Meu filho não entendia o que estava acontecendo e eu dizia que ele tinha de participar. Meu filho tem só cinco anos, mas dizia pra ele que ali começava um novo Espírito Santo, o Estado dava uma volta. Foi um marco no Estado. As pessoas estavam lutando por um Estado melhor. Eu sei, as famílias estão cansadas, os jovens estão cansados, a própria classe política, porque temos políticos bons, não vamos generalizar, mas a grande maioria não se importa. Está ali por interesse, e pior, por interesse individual. Quando o interesse é coletivo para o Espírito Santo, esses sim são os políticos verdadeiros. E quando eu vi aquele movimento percebi que aquela era a minha oportunidade para mudar o Estado. Quero fazer por todas as famílias que visitei…

– Você visitou muitas famílias?

– Sim e quero voltar independentemente do resultado… é claro que eu quero ganhar, eu sou um campeão, fui feito para isso. Vim de uma cidade em que as oportunidades são poucas, sempre falo isso nas minhas palestras. Falo isso: que devem estar preparados sempre e quando surgir a oportunidade, agarrá-las. E quero agradecer a cada um deles e colocar meu nome à disposição, porque quando você senta em uma mesa e toma um café na casa de cada um. E eu sei o telefone de cada família que eu visitei e tenho contato com elas até hoje. Gosto de sentar e discutir isso.

– E a quanto tempo você tem feito esse trabalho?

– Faz dois anos que venho percorrendo as cidades, desde que fui nomeado embaixador do Comitê Olímpico no Espírito Santo.

– E como está sendo a aceitação de sua futura candidatura nas ruas?

– Muito boa. As pessoas sabem do meu comprometimento e não só as pessoas do esporte. A minha bandeira é a do esporte, mas, como você disse, o esporte passa por todas essas áreas importantes para a população: ação social, educação, saúde, segurança. Eu vivi dentro dessas secretarias. Eu estudei muito para isso e me prepararei. Então, as pessoas não me olham mais apenas como o Fábio Luiz do esporte.

– Caso se eleja, como você imagina o legislativo e como ele pode ser útil nesse seu projeto?

– No legislativo poderemos formular as leis para atingir esses objetivos, dentro de uma política voltada para o jovem, para a família. Temos que ter uma política pública voltada para a família desde a iniciação, o que as pessoas necessitam para que as oportunidades quando aparecerem, as pessoas estejam preparadas. E vou buscar criar projetos e buscar parcerias para ter os investimentos necessários. Além disso, vou poder fiscalizar o Executivo, porque não basta fazer a lei, tem que fiscalizar o Executivo para que ele possa pôr em prática as ideias. Como eu venho acompanhando os projetos do governo, posso dizer que o governador teve um start, mas é preciso fazer muito mais em cada área. Sei como posso ajudar a melhorar. Tenho tudo planejado sobre cada cidade por onde passei.

– Sinto que você vai fazer campanha para o governador, não vai?

– Eu falo do governador porque se eu pegar meu telefone agora e ligar, ele vai me atender. É diferente. Tenho esse contato com ele. Eu vou lá, mostro o planejamento para ele. Casagrande abriu as portas para mim e eu pude pôr em prática meus objetivos, não posso negar isso. E eu só tive essa experiência com ele, então, não tenho nem o que falar dos outros. Eu venho acompanhando a política há algum tempo. Todos têm uma história no Espírito Santo, em seus dois mandatos eles transformaram o Estado e o Renato Casagrande deu sequência a esse trabalho. Ancho que todos os governadores tiveram seu valor fizeram coisas errada e certas. A função do Executivo é essa. Se tivermos um legislativo mais forte poderemos ajudar mais o Executivo.

– Mas, veio para vencer?

– Sempre!

 

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