Servidor da Ceturb e morador de Santo Antônio, bairro popular de Vitória, o candidato do PCB ao governo do Estado, Mauro Ribeiro, defende uma inversão na lógica de desenvolvimento que vem sendo defendida no Espírito Santo nos últimos anos. Ele foi o último entrevistado da série de sabatinas da Rádio CBN-Vitória, nesta sexta-feira (15).
O tom provocativo de algumas perguntas foi contornado com muita leveza e simpatia pelo candidato, que brincou com a falta de recursos de campanha e com a produção amadora do programa de televisão que vai ao ar nesta quarta-feira (20). “Estou com uma parte do programa aqui no celular”, disse aos risos.
Mauro até o momento não recebeu nem um centavo de doação para a sua campanha. Destacou que a militância deve entrar em campo para tentar arrecadar recursos para sustentar a candidatura. Quanto ao programa, será feito com celular, câmeras amadoras e com a colaboração dos amigos.
Mesmo com uma aparência amadora de campanha, as propostas de governo são ousadas. O candidato da coligação PCB-PSTU propõe uma total inversão de prioridades no governo do Estado. Servidor da área de transporte coletivo da Ceturb, Mauro tem uma opinião definida sobre a mobilidade urbana.
Mais que a tarifa zero, o candidato defende a estatização do setor para aumentar o controle e diminuir os gastos. Para o candidato, transporte deve ser tratado como uma prioridade equivalente à saúde e à educação. O candidato criticou o projeto do BRT que está sendo implantado pelo governo do Estado. Na opinião do candidato o projeto carece de planejamento, sobretudo no que diz respeito ao Plano Diretor Transporte Urbano (PDTU).
Mauro criticou também a discussão sobre a construção de uma quarta ponte, que para ele servirá para escoamento do porto, atendendo à iniciativa privada. Mauro defende que as empresas devem buscar outras formas de escoamento da produção sem a utilização do dinheiro público.
A candidatura de Mauro é ideológica, como ele deixou bem claro em sua entrevista. Tendo como base a ideia de delegar poder ao povo, o candidato defendeu os ideais socialistas e destacou a impossibilidade de uma discussão meramente local para a atenção de todos os interesses do projeto político do partido.
Mas aprofundou o debate em questões centrais para o Estado, como a segurança pública, destacando a total falta de oportunidade da juventude capixaba, sobretudo, os jovens negros, principais vítimas da violência. O candidato criticou a forte militarização da polícia e o inchaço do sistema prisional do Estado como os pontos equivocados da política de segurança pública.
O candidato do PCB destacou ainda a falta de oportunidade e de uma ação mais profunda de educação libertadora na busca de oferecimento de alternativas aos jovens da periferia. Ele usou como exemplo a ansiedade gerada na juventude com o show promovido pela Rede Gazeta na Praia de Camburi, em Vitória. Ele disse que o tumulto causado em decorrência do número excessivo de pessoas revela a falta de acesso da população carente à cultura. A falta de oportunidades e a falta de remuneração adequada marginaliza ainda mais os moradores da periferia.
Sobre a democratização do governo, o candidato destacou que os atuais conselhos populares e reuniões do orçamento participativo são meramente figurativas. A ideia é criar assembleias em que a população aponte as demandas. Um conselho popular determinaria as prioridades e o governo implantaria as melhorias. Mauro ressaltou que só acredita num gestor que governe o Estado com o povo.

