A disputa eleitoral deste ano desgastou lideranças políticas, mas também enfraqueceu partidos no Espírito Santo. A escolha da cúpula de algumas siglas deixou seus partidos fragilizados. Mas com a ascensão da política de grupo no Estado, em detrimento da política partidária, é difícil falar em partidos poderosos após o pleito.
Dos partidos que disputaram a eleição, as maiores perdas foram para PSB, PR e PT, nesta ordem. Os socialistas, que sempre orbitaram o governador Renato Casagrande, viram o partido encolher no Estado da mesma forma que aconteceu no País. Nos dois casos, o encolhimento se deu a uma escolha equivocada do caminho a ser seguido no cenário eleitoral.
Nacionalmente, a movimentação do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos foi vista como precipitada, já que era cotado para ser o nome do grupo do PT em 2018. A substituição de sua candidatura por de Marina Silva, após a morte do socialista, também não trouxe o desempenho esperado pelo partido. Em nível local, a falta de investimento interno em novos quadros manteve a característica de partido pequeno para o PSB no Espírito Santo. Com a derrota de Renato Casagrande, todo o partido sentiu.
O PR começou a se desgastar antes mesmo de o processo eleitoral ter início, com a saída de várias lideranças fortes do partido. Isso devido à movimentação truculenta de seu presidente, o senador Magno Malta. O partido só elegeu um deputado estadual e Malta, sua maior liderança, se “queima” com a classe política, ao recuar em sua postura de independência ao que ele sempre chamou de condomínio de poder, posando ao lado do governador Paulo Hartung (PMDB).
O PT também saiu desgastado. O partido fez uma série de movimentos equivocados e falhou em sua tarefa de fortalecer a imagem da presidente Dilma Rousseff no Estado. O bom desempenho da presidente se deveu à entrada da militância na campanha e não na movimentação de sua cúpula.
O partido teve um bom desempenho na disputa federal e conseguiu eleger deputados estaduais, mas isso não fortalece internamente. Seu principal líder seria o ex-prefeito de Vitória, João Coser, seu presidente regional, mas para os meios políticos, ele não teria condições de buscar a aproximação com a militância depois de ter afastado o partido dos movimentos sociais por tanto tempo.
O PMDB é um caso à parte, o partido elegeu em todos os cargos que disputou: governador, senador, deputado federal e deputados estaduais. Isso, porém, não fortalece a sigla, e sim o grupo do governador eleito Paulo Hartung, que volta a comandar o partido em favor de seus interesses. Isso significa ainda, que não só quem está no partido pode se beneficiar, mas os aliados que estão em outras siglas também, fortalecendo cada vez mais o fechado grupo de Hartung.

