“Gestão eficiente” e “avaliação de resultados” são expressões que vêm tomando conta da administração pública na última década, não só no Espírito Santo mas em todo o País. Na chegada dos novos prefeitos fica evidente a predileção de alguns por esse modelo “moderno” de gestão.
Em sua primeira reunião com o secretariado o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), citou em vários momentos o modelo adotado pelo governo Paulo Hartung, do qual fez parte. O prefeito dividiu a gestão em eixos temáticos que serão tratados comumente por várias secretarias.
Durante o governo Paulo Hartung, estabeleceu-se a relação com a ONG empresarial Espírito Santo em Ação, que ajudou a construir o planejamento estratégico do governo, o ES-2025. Reformulado no governo Casagrande e rebatizado de ES-2030.
Reportagem do Valor Econômico dessa semana mostrou que esse tipo de parceria também se estabeleceu no governo Dilma Rousseff, por meio do Movimento Brasil Competitivo (MBC), fundado pelo empresário Jorge Gerdal que assessora a presidente em temas de relevância nacional.
Esse modelo de gestão é visto pelo mercado político como controverso. Ao mesmo tempo em que tenta tirar o ranço burocrático da administração pública, com o estabelecimento de metas para o desempenho dos secretários, por outro lado é criticada primeiro porque acaba trazendo elementos alheios ao poder público para dentro da estrutura do governo, aumentando os gastos.
Além disso, acaba desviando o foco do governo para os temas sociais. É o caso da influência do ES em Ação no governo do Estado. Na última década tornou-se nítida a preocupação do governo com uma política desenvolvimentista, que privilegia os investimentos em áreas que atendam ao interesse do empresariado.
Por outro lado, os setores sociais ficaram esquecidos e os investimentos em áreas prioritárias como Saúde, Educação e Segurança foram insuficientes. Além do investimento precário, a falta de políticas públicas nessas áreas também ficou evidente, tornando ainda mais ineficaz a atuação do governo no atendimento às necessidades da população.

