Com a vinda ao Estado do coordenador Nacional da Rede, Pedro Ivo, no início de março, para “lançar” o prefeito Audifax Barcelos ao governo do Estado em 2018, como publicou a coluna Plenário, do jornal A Tribuna, desta sexta-feira (24), o mercado político se movimenta e as opiniões se dividem.
Por um lado, o momento de desgaste do governador Paulo Hartung (PMDB) parece ser oportuno para a apresentação de novas lideranças com projetos estaduais. Para alguns observadores, porém, pode ser antecipado, já que o prefeito acabou de sair de uma dura disputa na eleição municipal contra o deputado federal Sergio Vidigal (PDT) e já estaria de olho em outro cargo.
Além disso, para conseguir a musculatura necessária para uma disputa estadual, o prefeito teria que se dedicar muito ao fortalecimento de seu partido no Estado. A prefeitura da Serra foi a conquista mais importante do partido na eleição deste ano. Fora isso, o partido conseguiu 11 cadeiras de vereador, com destaque para a Câmara de Aracruz, em que Alcantaro Filho conquistou a presidência.
Mas para a coordenação nacional, que precisa de uma sustentação para o palanque da presidenciável Marina Silva, a candidatura própria no Espírito Santo é uma oportunidade de ouro. O partido conquistou seis prefeituras no País – Livramento de Nossa Senhora, Brejões e Seabra, na Bahia; e Guarulhos e Lençóis Paulista, em São Paulo. Também conseguiu 18 vice-prefeituras e 181 vereadores. Um desempenho não tão grande para uma legenda que almeja a presidência.
Isso coloca o prefeito em uma situação de dilema. Se deixar a prefeitura para disputar o governo do Estado vai se contradizer em sua principal crítica ao adversário em 2016 na Serra. Audifax acusava Vidigal de não cumprir o mandato em Brasília. Deixar a prefeitura no meio do mandato pode irritar o eleitorado do município mais populoso do Estado, o que não é uma boa saída para campanha estadual.
Por outro lado, o desgaste de Hartung abre o campo para as novas lideranças e seus vizinhos Luciano Rezende (PPS), prefeito de Vitória, e Max Filho (PSDB), prefeito de Vila Velha, seriam lideranças com um potencial parecido de disputa, que estão se movimentando no mercado político.
Outro ponto a ser debatido é o acordo alinhavado entre Rede, PPS, PV, PP e PSB para um projeto de governo em 2018. Um projeto que, aparentemente, teria como principal ator o ex-governador Renato Casagrande. Mas o socialista pode mirar outro cargo deixando a disputa ao governo para ser decidida entre Audifax e Luciano Rezende dentro do grupo.

