Grande parte dos valores empregados pelos candidatos a prefeito no Estado veio de seus partidos, sobretudo das nacionais. Esses valores, na verdade, escondem uma prática encontrada pelos financiadores para escaparem de uma fiscalização da Justiça Eleitoral.
Como este ano, o candidato teve que apresentar a lista de doadores antes da eleição, algumas ligações poderiam ser investigadas pela Justiça, mas como os partidos não são obrigados a revelar os doadores “ocultos”, isso serviu de caminho para as apostas dos financiadores privados.
Nacionalmente, o caminho dessas doações já foi desvendado com a prestação de contas deste ano. Ao todo, 739 financiadores (empresas ou pessoas) fizeram suas doações diretamente às nacionais dos partidos. Dos R$ 637,3 milhões que entraram no caixa das principais siglas partidárias do País, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa investiram R$ 151,7 milhões.
Os partidos campeões em receita foram, pela ordem, PT, PMDB e PSDB, os que mais elegeram prefeitos em outubro, que juntos receberam R$ 100 milhões das empreiteiras.
No Estado, o PSDB nacional apostou forte em seu candidato na Capital. Luiz Paulo Vellozo Lucas recebeu R$ 4 milhões de seu partido. Em Vila Velha, Rodney Miranda (DEM) teve como maior financiador de sua campanha os repasses do DEM Nacional. Dos R$ 2,9 milhões de receita, R$ 2,09 milhões vieram da Nacional.
Além de serem as maiores financiadores no Estado de candidatos, ArcelorMittal fez doações às nacionais de vários partidos. Ao todo a empresa repassou às siglas R$ 535,4 mil. A Aracruz Celulose (Fibria) também repassou R$ 1,1 milhão.
Para os observadores, essa movimentação está dentro de uma estratégia mais ampla para as empresas. Ao mesmo tempo em que faz a doação direta para determinados candidatos, mais próximos, também faz o repasse ao partido, que por sua vez distribui os recursos nos locais estratégicos para o verdadeiro financiador. Como a doação é oculta, fica praticamente impossível acompanhar o caminho percorrido pelo dinheiro.

