Com mais de um mês de atraso, foi lida no expediente da sessão desta terça-feira (19), da Assembleia Legislativa, a resposta ao requerimento de informações sobre os gastos com viagens realizados pela atual e a ex-primeira-dama do Estado. O documento foi encaminhado pelo governo no último dia 10 de julho, porém, só deu entrada formalmente na Casa nessa quinta-feira (14). O deputado Sandro Locutor (PPS), autor do pedido, informou que vai analisar o relatório enviado pelo Estado antes de sugerir providências sobre os gastos.
“Estou aguardando receber essa documentação no meu gabinete hoje ou amanhã [quarta-feira, 20]. Somente depois vou poder analisar o que a imprensa está publicando”, afirmou o parlamentar, em alusão aos gastos feitos pela ex-primeira-dama, Cristina Gomes, mulher do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) – divulgados com exclusividade pelo jornal Século Diário e publicada na coluna do jornalista Cláudio Humberto, reproduzida em dezenas de jornais impressos no País.
Na última semana, o deputado já havia cobrado publicamente o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), sobre a demora no repasse das informações, engavetadas há um mês na Mesa Diretora. Nesta terça-feira, o secretário-geral da Mesa, Carlos Eduardo Casa Grande, explicou que o ofício do governo foi enviado de forma indevida. Segundo ele, o documento foi encaminhado pelo secretário de Governo, Samir Nemer, porém, o ofício deveria ser enviado diretamente pelo governador Renato Casagrande.
“A Constituição Estadual prevê em seu artigo 91, no inciso XV, que as respostas aos requerimentos de informação dos deputados devem ser enviadas pelo governador. No processo legislativo [da resposta] está o ofício que enviei ao governo para que fizesse o envio de forma correta, o que só foi feito agora”, afirmou o secretário-geral da Mesa, que negou o vazamento das informações trazidas na primeira resposta enviada pelo governo.
Na última terça-feira (12), o jornal Século Diário revelou trechos do documento – Ofício SEG nº 79/2014 – que apontou gastos de R$ 83,7 mil em passagens aéreas e diárias em hotéis de luxo pela ex-primeira-dama, Cristina Gomes, entre os anos de 2007 e 2010. No dia seguinte, o ex-governador Paulo Hartung admitiu a realização das viagens pela mulher pagas com dinheiro público. O peemedebista tentou justificar os gastos com a importância da “mulher do governo o acompanhar”.
Entretanto, a reportagem de Século Diário teve acesso a novos documentos que comprovaram a utilização de passagens aéreas pela ex-primeira-dama em viagens nacionais sem a companhia de Hartung. O ex-governador também não comentou sobre as 20 diárias de hospedagem pagas a Cristina Gomes em hotéis de quatro e cinco estrelas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro no período.
Durante a tentativa de explicações, Hartung classificou a divulgação das informações como “baixaria política”, em função de disputar novamente o cargo no pleito deste ano. Já o deputado Sandro Locutor retrucou: “Meu mandato não serve para a politicagem. O pedido de informações que fiz não é uma baixaria política, mas sim a obrigação do parlamentar na fiscalização do Executivo”, declarou na sessão dessa segunda-feira (18), quando cobrou novamente o recebimento das informações.

