Como Século Diário antecipara, os salários abaixo de mercado dificultariam a formação de um secretariado mais técnico, como prometeram os prefeitos eleitos durante a campanha eleitoral. Talvez seja por esse motivo que os novos prefeitos estão retardando o anúncio de suas equipes de governo.
O prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), admite que o salário pouco atrativo é hoje um problema para montar equipes com a qualidade técnica desejada. Ele já cogita reajustar os salários que hoje giram em torno de R$ 8,2 mil bruto – um bom salário para os padrões brasileiros, mas considerado baixo para um executivo que poderia ocupar um cargo equivalente numa grande empresa.
Apesar da “baixa remuneração”, Luciano confirmou nessa terça-feira (5) Lenise Loureiro (Gestão Estratégica); Alberto Borges (Fazenda); Alexandre Lima (Cultura), e Margô Devos (Comunicação). Comenta-se nos bastidores do PPS que a Saúde está praticamente prometida a Juarez Vieira (PSB), candidato a vice-prefeito de Vitória na chapa de Iriny Lopes (PT) nas últimas eleições.
Apesar do desejo de Luciano de aumentar os salários da equipe, a manobra não seria tão simples. Primeiramente, a proposta teria que ser apreciada pela Comissão de Finanças da Câmara. Se não houvesse impedimento, seria submetida ao plenário para aprovação e só depois encaminhada à sanção do prefeito João Coser (PT).
Lembrando que a proposta teria que ser aprovada pela atual legislatura para passar a valer já em 2013. Considerando que o ano acaba praticamente daqui a duas semanas, o prazo seria extremamente exíguo para o prefeito eleito costurar toda essa articulação nos próximos dias.
Sem contar que qualquer proposta que se refira a reajuste de salários para ocupantes de cargos públicos, principalmente do primeiro escalão, não é muito bem recebida pela população. Outra, existe descontentamento com os “baixos salários”, mas ainda não há nenhuma proposta concreta de valores.
Caso o reajuste não saia ainda este ano, a solução para os prefeitos eleitos tornarem os salários mais atrativos é recorrer aos famosos “penduricalhos”. Uma das alternativas seria entregar aos secretários assentos nos conselhos municipais. Arranjo que poderia resolver o problema de salário, mas que iria na contramão da proposta defendida até aqui pelo prefeito eleito de Vitória, que prometeu priorizar a participação popular em seu governo.

