A decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar o item do projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que redistribui os valores dos atuais contratos de exploração dos campos de petróleo já licitados, é vista pelos meios políticos como um elemento de fortalecimento político do governador Renato Casagrande.
A leitura nacional que se faz do caso é que pesou mesmo a posição fragilizada do Rio de Janeiro, que como carta na manga tem a realização de dois eventos internacionais em 2014 e 2016, que dependem de investimento para serem realizados. Mesmo assim, o governador capixaba sai como vitorioso do processo, tido como irreversível, dadas as circunstâncias de sua aprovação.
Isso porque, ao não sancionar na íntegra o texto do senador Vital do Rego (PMDB-PB), a presidente vai de encontro aos interesses de 24 estados, mais o Distrito Federal, que só contarão agora com distribuição dos campos ainda não licitados, que vão explorar a camada pré-sal.
Desde o início do processo, Casagrande se movimentou intensamente no sentido de tentar reverter a medida, que tira uma fatia gorda dos cofres capixabas. Em novembro do ano passado, um ato público na Praça dos Namorados, em Vitória, reuniu a população para protestar contra o projeto.
O governador também fez várias viagens a Brasília, para tentar encontrar uma solução vantajosa para o Espírito Santo. Ao lado do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ameaçou ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a nova regra fosse sancionada.
Casagrande também já havia estabelecido um plano de cortes de gastos na estrutura do Executivo para tentar amenizar os efeitos das perdas previstas para R$ 900 milhões já no próximo ano. Também já havia se comprometido a ajudar os municípios que serão atingidos com as perdas de recursos.
Politicamente, o governador ganha força para erguer seu palanque de reeleição para 2014, assim como os aliados do governo, que terão como eleitor o governador que saiu vitorioso. Quem sai prejudicado é o PSDB, que perde seu discurso de ataque ao governo federal, com o veto da presidente.
Dilma optou por manter os contratos já firmados para os poços em exploração. Para o governo do Estado, a partilha dos campos do pré-sal, que ainda serão licitados, não incomoda. A briga era justamente para manter os índices que já estavam consolidados.

